Lava Jato

Análise | Sérgio Moro na encruzilhada

Juiz de primeira instância tem chance única de condenar Lula, mas não tem provas

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Sérgio Moro é responsável pelos julgamentos da Lava Jato em primeira instância / Marcelo Camargo/ABr

O juiz Sérgio Moro está em uma encruzilhada. A qualquer momento, ele pode pedir a condenação do ex-presidente Lula com base no parecer do Ministério Público sobre o caso triplex. Mas tem um pequeno detalhe nessa história: até agora, não há nenhuma prova que incrimine o petista.

A prisão de Lula será um prato cheio para os meios de comunicação, e vai agradar o fã-clube da Lava Jato - cada vez mais reduzido. Por outro lado, condenar o ex-presidente sem provas pode ser um tiro no pé. Afinal, confirma de uma vez por todas que a Lava Jato, em Curitiba, é seletiva e está guiada por simpatias partidárias.

Para se ter uma ideia, o PSDB é um dos três partidos mais citados na operação, mas nenhum dos membros chegou a ser preso pela Lava Jato. O detalhe é que a operação foi deflagrada há mais de três anos, e mais de 200 pessoas já foram presas. Do PSDB, nenhuma.

Se o ex-presidente Lula for preso, ele deve recorrer à segunda instância e vai responder ao processo em liberdade. Lula continua elegível em 2018, a não ser que seja condenado em segunda instância também. E isso pode levar muitos meses.

O dilema está colocado, e chegou a hora de conhecermos mais uma faceta do juiz Sérgio Moro. Será que ele aceita de vez o rótulo de adversário do ex-presidente Lula, e irá condená-lo sem provas? Ou será que ele volta atrás e decepciona os seus fãs, que querem a todo custo ver o petista na cadeia?

A resposta nós saberemos nos próximos dias, mas o certo é que o mês terminou com derrotas para Moro. O ministro Luiz Edson Fachin tirou de Curitiba os processos referentes a Lula e ao filho dele. Além disso, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que ele condenou a 15 anos de cadeia, foi absolvido em segunda instância. 

Aconteça o que acontecer na sentença sobre o triplex, Lula está cada vez mais perto de ser candidato oficial em 2018. 

 

Edição: Camila Maciel