Crise

Editorial | A juventude e as consequências do desemprego e das reformas antipopulares

Taxa de desemprego na juventude chega a 28,8%. Jovens têm sofrido consequências de projetos antipopulares

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Os impactos dessas reformas podem agravar ainda mais o cenário de incertezas e desigualdades enfrentadas pela juventude pernambucana / Frente Brasil Popular/Caruaru

Até pouco tempo atrás as políticas públicas de inserção social, ainda que bastante tímidas, animaram boa parte dos jovens do Grande Recife e das cidades interioranas a sonharem mais alto. Sendo os primeiros da família a entrar na universidade ou acessando os programas de primeiro emprego, a busca dos jovens por oportunidades de melhoria deixava de ser um sonho inatingível.

A diferença para o momento atual é grande. Em pouco mais de um ano após o golpe, já foram muitos os ataques a direitos e derrotas impostas a essa população. Além de enfrentarem a maior dificuldade dos últimos 16 anos para se inserirem no mercado de trabalho, com uma taxa de desemprego que chega a 28,8% entre a faixa etária de 18 a 24 anos (IBGE, 2017), a juventude têm sofrido as consequências de uma série de projetos antipopulares, entre os quais a diminuição de recursos destinados à educação, além das reformas em curso, como a da Previdência social e a trabalhista, todas projetadas pelo atual governo Michel Temer com apoio da maioria do Congresso Nacional e dos setores conservadores da sociedade, especialmente do empresariado.

Os impactos dessas reformas podem agravar ainda mais o cenário de incertezas e desigualdades enfrentadas pela juventude pernambucana no dia a dia, pois a parcela da população mais afetada será a que está em busca do primeiro emprego ou que se inseriu recentemente no mundo do trabalho. A reforma trabalhista, ao flexibilizar os contratos, retira garantias e proteções fundamentais dos trabalhadores e trabalhadoras, quadro que se agrava ainda mais entre os jovens negros e as mulheres, historicamente discriminados nesse setor. Já a reforma da Previdência pesa como mais uma ameaça aos direitos dessa geração, pois considerando que há uma maior rotatividade nos postos de trabalho ocupados pelos jovens, o tempo de permanência no mercado de trabalho formal para obter a aposentadoria integral se torna superior aos 49 anos. Em outras palavras, mesmo para quem começar a trabalhar aos 16 anos, a idade de aposentadoria será superior aos 65 anos.

Ao contrário do atual governo, que trabalha nos bastidores do Congresso Nacional para aprovar essas reformas de forma ligeira e sem discussão com outros atores sociais, eventos políticos e culturais nas periferias, escolas e universidades movimentam os jovens para operar mudanças nesse cenário. Através de entidades, movimentos sociais e jovens artistas, cada vez mais, o enfrentamento popular contra os projetos que colocam em risco a vida e os direitos da juventude toma corpo e formas diversas de resistências. 

Com a clareza de que só a mobilização popular pode barrar as reformas do governo golpista, é fundamental continuar convocando os jovens, as mulheres e homens trabalhadores, em cada bairro, local de trabalho, escolas, universidades e igrejas, dispostos a lutar pelo restabelecimento da democracia através das eleições diretas, e permitir que o povo tenha o direito de decidir os rumos do país.

Edição: Monyse Ravena