Belo Horizonte

Artigo | Parada do Orgulho LGBT: celebração da diversidade

Será momento de confraternização, reencontros, solidariedade e celebração das nossas vitórias

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Cada vez mais, os grupos de defesa dos direitos LGBT têm se empoderado e utilizado a Parada como forma de pressão política junto ao Estado / Mídia Ninja

As Paradas do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais se tornaram, ao longo do tempo, grandes manifestações populares e de afirmações de direitos. Em mais de duas décadas de existência, desde primeira que aconteceu em 1995 no Rio de Janeiro, as Paradas se expandiram e hoje acontecem de Norte a Sul, nas principais cidades do país. 

O Brasil realiza o maior número de eventos pró LGBT e a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é a maior do planeta. No dia 16 de julho de 2017, acontece a 20ª edição da Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte, manifestação que começou com 50 pessoas e hoje é a maior manifestação popular e de afirmação de direitos do estado. A Parada de BH levará milhares de pessoas para caminhar, reivindicar, protestar e dançar pelas principais ruas da capital mineira, se tornando referência e notícia nos dias seguintes, inclusive em vários países.

No contraponto aos críticos, pasmem, setores progressistas e companheiros e companheiras por muito tempo nos chamaram de despolitizados. Afirmo, no entanto, que as Paradas do Orgulho LGBT são manifestações populares, democráticas, festivas e políticas. Elas têm sido uma das principais ações de mobilização do movimento social LGBT brasileiro, produzindo efeitos positivos e ampliando a visibilidade da temática. Independente do objetivo de quem comparece ao evento, a ocupação do espaço público por milhares de LGBT potencializa a ampliação ou rompimento das fronteiras dos guetos e da visibilidade das bandeiras de luta do movimento LGBT.

Outro aspecto que deve ser evidenciado é sobre a continuidade do evento. Garantir a existência dessa atividade grandiosa, de caráter popular e gratuito, exige dos militantes uma grande dedicação e habilidade política para estabelecer parceria entre o poder público local, entidades de classe, universidades, empresários, igrejas inclusivas, mídia e a população em geral. Cada vez mais, os grupos de defesa dos direitos LGBT têm se empoderado e utilizado a Parada como forma de pressão política junto ao Estado e à sociedade.

Mas a parada também é festa. As draq queens, transformistas, DJs, as fantasias, os cartazes, os "beijaços", os corpos e a troca de afetos são manifestações que contribuem para difusão da ideia da diferença como valor e possibilita, de maneira criativa e bem-humorada, a divulgação e visibilidade das reivindicações do movimento LGBT.

A 20ª Parada do Orgulho LGBT de Belo Horizonte será, certamente, um dia de alegria, beleza e colorido. Será momento de confraternização, reencontros, solidariedade e celebração das nossas vitórias. A Praça da Estação e as principais ruas de BH serão palco desse espetáculo político e cultural que junta tribos diferentes, representantes do plural que formam a sociedade e que merecem espaço e respeito, independentemente de qualquer diferença.

*Carlos Magno é presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). 

 

Edição: Larissa Costa