EDITORIAL

Editorial: Organização Popular é a saída para a crise

A Caravana Popular da Democracia é uma ferramenta com potencial para enraizamento da Frente Brasil Popular

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Afogados da Ingazeira foi um dos municípios que recebeu a Caravana, em julho de 2016 / Vinícius Sobreira/Brasil de Fato

Hoje vivemos uma crise que vai além da economia. Ela também é política, social e ambiental. O golpe de 2016 deixa marcas profundas no país. O projeto de lei que permite a venda terras brasileiras a estrangeiros, a PEC de congelamento nos investimentos públicos e a crescente desigualdade social atestam o quanto o governo Temer vem destruindo direitos conquistado através greves, ocupações e atos de rua.

Desde setembro de 2015, uma das principais iniciativas nacionais de resistência ao golpe vem sendo construída em todo o país. A Frente Brasil Popular, fruto da mobilização de sindicatos e movimentos populares, tem agitado as ruas e as redes contra cada desmando do governo ilegítimo. As iniciativas para barrar as reformas são diversas: piquetes, panfletagem, manifestações nas capitais e os diversos atos em Brasília. Contudo, uma ferramenta tem o potencial de enraizar a Frente nos municípios do interior e construir um coro de indignação com ainda mais vozes: a Caravana da Frente Brasil Popular.

A experiência piloto que aconteceu aqui em Pernambuco há exatamente um ano teve início em Petrolina e seguiu até o Recife, percorrendo 11 cidades com atividades de rua, nas Câmaras Municipais e criando comitês para manter a Frente em luta contra os retrocessos que jamais imaginamos ser tão profundos. Em cada canto de Pernambuco ecoou um mesmo canto de luta popular contra o golpe.

Um ano depois, muita coisa mudou. O desemprego subiu para 17,3%, maior taxa dos últimos 5 anos. A PEC 55, um atestado de falência de um projeto de educação libertadora e do direito à saúde foi aprovada. O combo indigesto das reformas da previdência e trabalhista coloca os trabalhadores em postos mais precarizados e praticamente acaba com o direito à aposentadoria, em especial para as mulheres e trabalhadores rurais. Contudo, a necessidade de organizar a oposição ao pacote de maldades só aumenta.

Além da reação organizada contra as medidas neoliberais, é preciso construir um saída para a crise política. Com a possibilidade de saída de Temer e de Rodrigo Maia assumir a Presidência, a campanha das Diretas Já é a forma construída pelas organizações da Frente para barrar as reformas e restabelecer o pacto democrático.

Como no fim do regime ditatorial, as Diretas se configuram como uma solução emergencial e necessária, mas que precisa ser acompanhada de um processo que refunde a democracia no Brasil. A pauta de Constituinte, que ressurge na agenda política em 2013, se mostra mais uma vez com potencial de mobilização e organização do povo para decidir o seu futuro.

A derrota das reformas, as eleições diretas para presidente e a transformação radical das estruturas da sociedade só podem ser viabilizadas com a organização popular. É nessa perspectiva que a Frente Brasil Popular tem se constituído como alternativa real para que a classe trabalhadora entre em campo e brilhe, virando o jogo contra o golpismo.

Edição: Monyse Ravena