Editorial

Eleições diretas para tirar Brasil da crise

Condenação de Lula atinge direitos políticos dos pobres

Belo Horizonte (MG)

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O patrimônio financeiro de Lula equivale a menos de um ano do salário de Sérgio Moro / Lula Marques/AGPT

Na quinta-feira (20) a Frente Brasil Popular realizou atos em mais de 20 capitais do Brasil. O protesto nacional foi contra o desmonte da Previdência, pela revogação da reforma trabalhista, em defesa da democracia e contra a condenação sem provas do ex-presidente Lula.

A condenação de Lula é um atentado contra a democracia brasileira, que já era atrasada, e vem se degradando desde o primeiro ato do golpe parlamentar. Essa condenação busca retirar o partido de base popular do processo eleitoral. Se na semana anterior liquidaram a CLT, retirando direitos sociais, a condenação de Lula retira direitos políticos dos trabalhadores, algo tão ou mais grave. 

Na quarta-feira (19), mais uma sentença do juiz federal de primeira instância, Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, ganhou novo tom de revanche política. Ele ordenou que o Banco Central bloqueie R$ 606 mil, a soma dos bens pessoais de Lula.

Vamos fazer uma conta. De acordo com Moro, Lula tem um patrimônio financeiro de 600 mil, acumulados ao longo da vida. Parece que o tal tríplex do Guarujá não entra nessa conta… Além disso, o dito juiz que prega a moralidade da política ganha bem acima do teto constitucional para servidores públicos.

Em consulta aos dados públicos do TRF-4, onde trabalha Moro, o jornalista Rodrigo Vianna constatou que, em apenas um mês – julho de 2015, Moro recebeu um salário bruto de R$ 63.694. 

Assim, o patrimônio financeiro de Lula, fruto do trabalho de toda uma vida, equivale a menos de um ano de salário do juiz que o persegue.

Reformas são desmonte de políticas públicas

Os atos têm denunciado as reformas que alimentam a crise econômica, política e social. Se hoje eles divergem entre eles - com a Globo pedindo o “Fora Temer”, por exemplo - por outro lado, estão todos unificados no programa, que é radicalmente neoliberal. Esta é a missão do que ainda sobra ao governo Temer (PMDB): encaminhar as tais “reformas” o mais rápido possível.

Essas ditas “reformas” – que na verdade são o desmonte de políticas públicas -  jogam o peso da crise nas costas dos mais pobres. Depois de tanto retrocesso, o governo agora acena também com uma reforma tributária, além da Previdência social. Mudanças drásticas que podem ser implementadas sem consulta à população.

A Frente Brasil Popular, como expressão da unidade das forças progressistas e democráticas desse país, é, nesse sentido, sinal de esperança. É uma Frente que aponta a convocatória de eleições diretas como saída democrática para a crise política. Afinal, como diz a articulação, “o povo deve decidir qual projeto, quais medidas e qual representante quer na presidência”.

 

Edição: Joana Tavares