Pressão popular

Mil famílias sem-terra ocupam fazenda improdutiva do senador Ciro Nogueira, no Piauí

Segundo dirigente do MST, são pelo menos 1800 hectares usados apenas para especulação imobiliária

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Senador Ciro Nogueira (PP-PI) em sessão do Senado durante processo de impeachment
Senador Ciro Nogueira (PP-PI) em sessão do Senado durante processo de impeachment | Crédito: Senador Ciro Nogueira (PP-PI) em sessão do Senado durante processo de impeachment

Na manhã desta terça-feira (25), cerca de mil famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a fazenda Junco, na região metropolitana de Teresina (PI), pertencente ao atual presidente nacional do Partido Progressista (PP) e senador Ciro Nogueira. A propriedade fica na BR 316, a 22 quilômetros da capital piauiense.

Segundo João Luiz Vieira de Sousa, da direção nacional do MST no Piauí, o terreno tem, oficialmente, uma área de 1800 hectares, e serve somente para especulação imobiliária, ou seja, não tem nenhuma plantação ou criação de animais.

"Algumas pessoas na região nos disseram que, na verdade, o terreno tem 2800 hectares, ou seja, além de a terra ser improdutiva, há suspeitas de grilagem", completou Sousa.

O dirigente do movimento afirmou que a ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas, que está ocupando na manhã desta terça terras de políticos envolvidos em esquemas de corrupção e no desmonte dos direitos dos trabalhadores ligados ao governo Temer.

O senador Ciro Nogueira foi citado em pelo menos cinco delações premiadas de executivos da Odebrecht e da J&F. Além da área ligada a Nogueira, os sem-terra também ocuparam uma propriedade do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, no Rio de Janeiro, e outra ligada a João Batista Lima Filho, conhecido como Coronel Lima, assessor e amigo pessoal de Michel Temer, e que seria o "testa de ferro" do presidente.

Reforma Agrária

A Jornada Nacional de Lutas também debate as ameaças do governo Temer à luta no campo. O MST faz coro contrário à MP 759, que promove mudanças na lei da reforma agrária, especialmente sobre a titulação dos assentamentos. A Medida abriria a possibilidade de comercialização dos lotes pelas famílias assentadas.

Durante a Jornada, o movimento também critica a proposta do governo Temer que viabiliza a venda de terras para estrangeiros. Entre os argumentos contrários ao projeto, estaria a questão de uma possível explosão nos valores das áreas, inviabilizando possíveis desapropriações, assim como problemas relacionados à soberania nacional, principalmente no caso das terras em áreas de fronteira.

Editado por: Luiz Felipe Albuquerque

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