Golpe

Editorial | Lições de um 263 x 227

A cada “sim”, um gol da Alemanha

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Deputados decidiram, na quarta (2), barrar denúncia contra Temer / Lula Marques /AGPT

Na última quarta-feira, o Brasil assistiu a mais um show de horrores promovido pelo Congresso Nacional. A votação no plenário da Câmara relativa à investigação contra Michel Temer foi acompanhada com perplexidade por todo o povo brasileiro. 

Muitos devem ter revivido a sensação dos 7 x 1 contra a Alemanha na Copa de 2014. A cada voto SIM um “gol da Alemanha” ecoava na memória…

Na política, a experiência concreta das massas é algo muito importante. Via de regra, um povo aprende muito mais ao viver na prática uma contradição do que em anos e anos de discurso e propaganda. Grande parte da população acompanhou as votações contra Dilma em 2016 e agora contra Temer. Se a regra acima se fizer valer será possível tirar importantes aprendizados desses episódios.

É nítida a existência de dois pesos e duas medidas. A ex-presidenta foi afastada de seu cargo sem ter cometido qualquer crime de responsabilidade, em um processo assumidamente político. Já Temer não será sequer investigado, mesmo sendo acusado por um crime comum e com robustas provas produzidas pela Polícia Federal contra ele.

Enquanto Dilma era criticada por uma suposta postura rígida que a levava a uma incapacidade de negociação com os parlamentares, Temer costurou incessantemente e com fartas quantias de dinheiro público a sua vitória. Não é difícil perceber quem é realmente digno de elogios em cada caso.

Povo deve ser o protagonista político

Ao longo do impeachment de Dilma, grande parte da população teve dificuldade de compreender que ali estava em curso um golpe político, mesmo com todo o discurso produzido por diversos movimentos e organizações populares. Foi preciso a experiência prática da piora das condições de vida, da imensa retirada de direitos promovida pelo governo e do agravamento da crise política para que muitos compreendessem a natureza do golpe em curso. 

Portanto, todo o processo político possui um elemento pedagógico gigantesco. De certo, o povo brasileiro não sairá o mesmo disso tudo. Resta saber qual síntese será construída e qual saída o povo construirá para o futuro.

A resposta mais fácil é a já desgastada ideia de que a política não presta. Tal postura não levará o povo a lugar nenhum. É necessário ir além disso. Os brasileiros devem definitivamente compreender que a política só se torna atrativa quando o povo se torna seu real protagonista. Para começo de conversa, é preciso brigarmos por eleições diretas, para presidente, deputados federais e senadores. 

 

Edição: Joana Tavares