AGRESSÃO

Em Contagem (MG), PM trata Parada LGBT com ofensas homofóbicas e violência

Relatos de participantes denunciam repressão policial para “dispersar” presentes e até a recusa de socorro médico a LGBT

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Depoimento postado no Facebook de um participante da Parada / Reprodução

“Isso é mais um desses viadinhos drogados. Não vamos ajudar nada não”, teria dito um policial militar ao recusar socorro a um participante da Parada LGBT de Contagem (MG), que aconteceu neste domingo (6). A denúncia foi feita por um participante da Parada em seu Facebook pessoal e é uma das dezenas de declarações sobre uma atuação policial preconceituosa, realizada pela PM de Minas Gerais.

Ainda no seu relato, o rapaz explica que estava parado em um ponto de ônibus quando viu um jovem passando mal. Sua primeira atitude foi recorrer a uma viatura policial, que recusou a ajuda. Em seguida, o jovem passou a espumar pela boca e as pessoas ao redor começaram a entrar em pânico. A vítima teve duas paradas respiratórias e acabou sendo levado ao hospital por outra viatura, porque uma mulher policial teria defendido o socorro.

Atitudes preconceituosas teriam acontecido também ao longo do evento. O ativista Gleyk Silveira afirma que por mais de dez vezes viu policiais militares insultarem casais gays e assediar casais de lésbicas. Gleyk, que também é vice-presidente da União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais de MG (UNA LGBT), teve o celular e óculos quebrados por um cassetete de madeira, quando filmava uma das agressões físicas que mais tarde presenciou. “Um dos policiais se virou e deu uma porrada no meu celular. Tentou me dar outra, eu me virei, bateu nos meus óculos e quebrou”, conta.  

Violência generalizada para “dispersar”

A repressão policial massiva começou às 19h30, assim que o evento acabou oficialmente. Anderson Cunha Santos, presidente da ONG Cellos Contagem e um dos organizadores da Parada, confirma as denúncias de violência excessiva da PM. Segundo participantes, houve o uso de cassetetes, spray de pimenta, destruição de celulares e ofensas sem motivo aparente. Anderson avalia que ação policial não atrapalhou o ato político, mas é altamente preocupante por seu caráter de preconceito.

“Para nós isso não foi um incidente. Os relatos é de que a polícia intervia não só com violência, eram agressões verbais também. Policiais depreciavam as pessoas por conta da sua orientação e identidade de gênero, deixando bem claro a LGBTfobia”, indigna-se. “A gente quer respostas e apuração dos fatos. De porquê a PM usou de tanta violência se estava lá para garantir a segurança das pessoas”, reforça Anderson. 

De acordo com o organizador, a ONG realizou diversas reuniões com a Comissão de Monitoramento da Violência em Eventos Esportivos e Culturais de Contagem (COMOVEC), da qual participam órgãos públicos, incluindo a Prefeitura e a Polícia Militar. Anderson garante que a PM estava ciente dos horários, percursos, locais, fechamento de trânsito e tinha acordo firmado para garantir a segurança do público LGBT presente.

Respostas e desfechos

A Prefeitura de Contagem, por meio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, esteve presente ao evento e afirma ter dado “total e irrestrito apoio”. Informam também que a Guarda Civil trabalhou para reforçar a segurança, mas não usou violência ou realizou prisão. A organização da Parada LGBT de Contagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac) no fim da tarde de segunda-feira (7). Ao receber a denúncia, a Sedpac encaminhou o caso para a Ouvidoria de Polícia do Estado de Minas Gerais, que deverá analisar a situação e tomar as providências necessárias. 

A Polícia Militar também foi contatada pela reportagem do Brasil de Fato, mas não se posicionou até o fechamento desta matéria. 

(Atualizada às 15h30 do dia 8/8)

Edição: Joana Tavares