Recursos naturais

Exposição fotográfica promove debate sobre modelo de mineração no Brasil

Durante uma semana, o evento fica em Belém e depois segue para outras cidades no Maranhão

Brasil de Fato | Belém (PA)

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Ouça o áudio:

O objetivo é sensibilizar a sociedade sobre a mineração e os impactos socioambientais que a atividade gera no país / Edmara Silva

Para dialogar com a sociedade sobre os impactos da mineração, a exposição "Do Rio que Era Doce ao Outro Lado dos Trilhos: Os Danos Irreversíveis da Mineração" chega a Belém (PA). Com abertura nesta segunda-feira (7), a ação segue até sexta-feira (11), com exibição de fotografias e um ciclo de debates acerca do modelo mineral brasileiro.



Lama de rejeitos chega ao oceano Atlântico / Foto: Gabriela Biló

Jornalista no Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração e curadora da exposição, Kátia Visentainer conta que a mostra nasceu durante uma plenária realizada em Mariana (MG) em 2015, após o rompimento da barragem de Fundão, considerado como o maior crime socioambiental no país, no qual a lama de rejeitos tóxicos contaminou a água e o solo chegando até o oceano Atlântico. A barragem é da empresa Samarco, cujos acionistas são a Vale e a BHP Billiton.

“Muita gente acha que a mineração só causa impactos onde existe a extração do minério. Não é verdade! Quando você olha, por exemplo, o corredor Carajás, você tem o impacto onde você extrai o minério – Parauapebas – e passa pela estrada de ferro de 892 quilômetros, causando impacto em 27 municípios. Então a gente quer muito promover esse debate em Belém e que as pessoas se sensibilizem e olhem: a mineração vale a pena? Qual o custo da mineração? Quais os impactos que ela gera?”, disse Visentainer.

Família esperando o trem da Vale S/A passar para atravessar o trilho. / Foto: Felipe Larozza

Itinerante, a exposição segue para Açailândia (MA), onde ficará de 18 a 24 de agosto. Na sequência, ela segue para São Luís (MA), de 29 de agosto a 4 de setembro. A cidade de São Paulo foi a primeira a abrigar o evento.

A exposição ganhou força com o apoio e a colaboração da rede Justiça nos Trilhos, organização não governamental que atua na defesa de comunidades atingidas e impactadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC) da Vale S/A, no Maranhão. Segundo Idayane Ferreira, jornalista na rede Justiça nos Trilhos, a ferrovia ainda corta mais de 100 comunidades e gera uma série de impactos socioambientais nas populações que moram próximas da ferrovia.

“Nessas comunidades há atropelamentos, barulho, poluição. Com o processo de duplicação [da Estrada de Ferro Carajás] houve também o entupimento de igarapés, assoreamento de rios. E são comunidades que a riqueza passa na porta, mas são comunidades extremamente pobres. Desses 27 municípios, que a maioria fica no Maranhão e três no Pará, a maioria deles têm o IDH, que é o Índice de Desenvolvimento Humano, muito abaixo do IDH do próprio estado”, pontuou Ferreira.

Tela O Rio que Era Doce da artista Leila Monségur.

Além do acervo fotográfico, há também a exposição da tela O Rio que Era Doce, da artista Leila Monségur. Os traços que compõem a tela de 14x3 metros foram feitos com lama dos rejeitos que inundaram a cidade de Mariana. Além disso, maquetes mostram dois momentos do município mineiro, antes e depois do rompimento da barragem. Outro destaque é o lançamento do documentário 30 Anos de Jornal Pessoal: Rebeldia Necessária à Amazônia, do jornalista e pesquisador Lúcio Flávio Pinto, que ministrará, no dia 11, a aula pública Carajás: Um Ciclo Perdido?.

Confira a programação completa da atividade:

Serviço

Data: 07 a 11 de agosto –  Horário: 10h - 20h

Local: Espaço de Ensino Mirante do Rio -  Universidade Federal do Pará (UFPA)



Programação

8 de agosto

Horário: 9h – Roda de Conversa e Apresentação da Revista Não Vale – Atingidos pela Vale S.A. Convidados: Larissa Santos – Justiça nos Trilhos/PPGCOM

Horário: 15h – Aula pública: Desastre no Vale do rio Doce: antecedentes, impactos e ações sobre a destruição

Convidados: Prof. Dr. Luiz Jardim – UERJ e Grupo de Pesquisa Poemas.

9 de agosto

Horário: 9h30 h – Aula Pública: Os desastres da mineração e a Vale S.A.

Convidada: Prof. Dra. Edna Castro – Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) / UFPA.

10 de agosto

Horário: 9h30h – Bate-papo: Os discursos da mídia sobre o desenvolvimento na Amazônia. Convidados: Professor Dr. Manuel Dutra – Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social (PPGCOM-UFPA); Professora Dra. Alda Cristina Costa - PPGCOM, Professora Dra. Rosane Steinbrenner – PPGCOM (Mediadora).

11 de agosto

Horário: 14h – Lançamento do documentário: 30 anos de Jornal Pessoal: Lançamento do Documentário Biográfico da Amazônia de Lúcio Flávio Pinto.

Convidada: Prof. Dra. Célia Regina Trindade Chagas Amorim (PPGCOM/FACOM/UFPA/Grupo Mídias Alternativas na Amazônia).

Horário: 14h30 – Aula Pública: Carajás: Um ciclo perdido?

Convidado: Lúcio Flávio Pinto (sociólogo, jornalista. Editor do Jornal pessoal, publicação alternativa que circula em Belém do Pará há quase 30 anos).

Edição: Simone Freire