Formação

Jovens das ocupações urbanas de BH constroem alternativas em comunicação popular

O projeto “Ocupa Mídia” começou no final de 2016

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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O curso aconteceu em dois fins de semana, completando uma carga horária de 40 horas / Reprodução / Ocupa Mídia

O projeto “Ocupa Mídia” começou no final de 2016 reunindo crianças, jovens e adultos das ocupações urbanas de Belo Horizonte, na região do Barreiro (Eliana Silva) e Izidora, zona Norte da cidade, divisa com Santa Luzia (Rosa Leão, Esperança e Vitória). O curso aconteceu em dois fins de semana, completando uma carga horária de 40 horas. O conteúdo foi dividido em fotografias, vídeo, jornalismo, crítica da mídia e foi finalizado com um debate sobre democratização da comunicação com convidadas do cenário da mídia alternativa belo-horizontina.

Os organizadores do projeto - ONG Internet Sem Fronteiras e os movimentos Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e Brigadas Populares - explicam que a proposta é capacitar os jovens para serem protagonistas de suas lutas, dando ferramentas para exporem suas realidades. 

“A comunicação sobre as ocupações urbanas na mídia tradicional é feita, na maioria das vezes, com olhar criminalizador, sem dar voz à luta pelo direito à moradia, que é uma pauta central. Era fundamental fortalecer a comunicação feita dentro das ocupações, colocando a juventude como protagonista”, complementa Florence Poznanski, da Internet Sem Fronteiras. 

O projeto foi realizado com recurso da Campanha da Fraternidade de 2016 e apoio da Sociedade Inteligência e Coração. Além das oficinas, o projeto prevê a compra de equipamentos audiovisuais (câmera, celulares, tripés, microfone), que serão entregues aos jovens das ocupações com o intuito de continuarem a fazer comunicação popular.

Segundo a jovem Evellyn, de 9 anos, moradora da ocupação Vitória: “É importante aprender para não ser enganada pela mídia”. 

Mariana Karen, coordenadora da ocupação Rosa Leão, explica: “o curso pode nos ajudar dentro do nosso território e na nossa vida pessoal, ele tem o objetivo de nos ensinar a comunicar para que depois continuemos fazendo a comunicação real”.

(Matéria escrita coletivamente pelos jovens do Ocupa Mídia)

Edição: Joana Tavares