Colóquio

Contexto geopolítico explica golpe no Brasil, analisa pesquisadora

Para Beatriz Bissio, EUA teve interesse em desmontar a construção na política externa pelos governos petistas

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Os EUA estão perdendo poder econômico, mas ainda mantém o poder militar, segundo a pesquisadora Beatriz Bissio / Divulgação

A nova configuração geopolítica mundial, que está se moldando nos últimos anos, pode explicar o impeachment da presidente Dilma Rousseff no Brasil, na avaliação da pesquisadora Beatriz Bissio. Para ela, o crescimento dos BRICs, o agrupamento econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e a queda do poder dos Estados Unidos (EUA) explicam o interesse norte-americano em desmontar o que havia sendo construído na política externa pelos governos petistas.

“A China está despontando como nova potência e os EUA estão perdendo espaço. Nos últimos anos, o Brasil e a América Latina estavam se organizando em torno de uma política externa próxima dos BRICs e independente dos EUA. Por isso, era necessário que tudo fosse desfeito, por isso, o golpe”, explicou a pesquisadora durante o Colóquio Hegemonias e Contra Hegemonias: Sistema Mundial e Integração Regional, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O evento aconteceu entre os dias 09, 10 e 11 de agosto, com vasta programação na Câmara Municipal, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e no campus Praia Vermelha da UFRJ, como uma comemoração dos 50 anos do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso) no Brasil.

Ainda de acordo com Beatriz, os EUA estão perdendo poder econômico, mas ainda mantém o poder militar. “Quem perde hegemonia tem necessidade de se impor militarmente. A questão é como vão conseguir financiar essa máquina militar nos próximos anos”, acrescenta.

Durante o evento, muitos pesquisadores apontaram a China como o país que está ocupando o espaço deixado pelos EUA na economia mundial. Para o chinês Wang Hui, o desafio é pensar na Ásia e na China não só a partir das relações econômicas, mas também pelas variadas religiões, culturais e políticas. “Temos que repensar a ideia da Ásia como uma coisa só. Para isso, é preciso desafiar essa concepção passada pelos europeus, construída em uma posição de poder”, conclui.



 

Edição: Vivian Virissimo