PRIVATIZAÇÃO

Artigo | Algo nebuloso, impublicável e corrupto está por trás da venda da CEDAE

Este processo esconde a entrega de um setor estratégico do ponto de vista econômico e principalmente da saúde pública

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

,
Trabalhadores da Cedae denunciam interesses econômicos da transação de venda da empresa estatal / Tomaz Silva / Agência Brasil

*Artigo de opinião alterado em 18/8, às 14h39, para inclusão de resposta da assessoria do Banco Fator.

O que está por trás da privatização da Cedae, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro? Fomos surpreendidos na última terça-feira (15), pela notícia de que um consórcio liderado por Concremat, Banco Fator e Vernalha Guimarães & Pereira Advogados Associados, venceu o pregão realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para prestar serviços técnicos visando à privatização da Cedae.

A Croncremat, aquela construtora responsável pela ciclovia da Avenida Niemeyer, ao custo de R$ 44 milhões, que desabou matando duas pessoas no ano passado, ganhou da Price, Deloitte e Nielsen - consultorias internacionais que aconselham governos e auditam as maiores empresas do planeta.

A Concremat pertence à família de Antônio Viegas de Mello, ex-secretário de Turismo de Eduardo Paes. Tal situação já seria suficiente para uma suspeição, já que todos têm alguma relação com o PMDB de Michel Temer, Luiz Fernando Pezão, Jorge Picciani e Sérgio Cabral.

Já o banco Fator, em janeiro de 2017 acumulava prejuízo na ordem de R$ 88 milhões e encerrou as operações de sua corretora no Rio.

Quanto ao escritório de advocacia, bem esse vai tentar dar um aspecto de solidez e legalidade ao processo, afinal de contas, no ramo do direito tudo é pautado na argumentação e na conciliação de ideias.

Como duas instituições com problemas de comprometimento político, estrutural e financeiro como a Concremat e o Banco Fator, podem estar qualificadas para avaliar o atual patrimônio da Cedae? E o que pode representar em termos de investimentos futuros no saneamento básico?

Na realidade, o processo de privatização da Cedae esconde a dilapidação do patrimônio público, a corrupção que levou ao caos financeiro no estado e a entrega de um setor estratégico do ponto de vista econômico e principalmente da saúde pública (tratamento, produção, distribuição de águas e esgotos). 

A discussão deveria ser pautada primeiramente em quais custos e benefícios a sociedade carioca teria com esta pseudo privatização, principalmente, no que concerne ao fictício socorro fiscal alardeado pelo governo federal. A impunidade e as relações promíscuas entre poderes da República e empresários parecem não ter se abalado com a Lava-Jato.

Talvez você, leitor, possa responder à pergunta inicial com relação ao que está por trás do interesse na venda açodada e descabida da Cedae.

* Ary Girota é delegado sindical – Stipdaenit/Cedae e Integrante do Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe)

* Inclusão da resposta da assessoria do Banco Fator:

Reitero aqui a informação de que o Fator venceu nesta semana uma licitação comandada pelo BNDES via pregão eletrônico, com regras transparentes e claras, auditado por órgãos competentes, baseado no know how de profissionais capacitados, que fazem parte de uma instituição com mais de 50 anos de história no mercado financeiro. O artigo em determinado trecho traz a informação de que “(…)o banco Fator, em janeiro de 2017 acumulava prejuízo na ordem de R$ 88 milhões (…)”. O Fator jamais computou tal prejuízo.

Edição: Vivian Virissimo