Golpe

Editorial | Uma luz no fim do Temer

Conta de luz pode ficar 5 vezes mais cara

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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O povo vai tomando pra si a luta contra a privatização / Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em meio à série de ataques que o povo brasileiro e nossa democracia vêm sofrendo, Temer anunciou mais uma de suas perversidades, desta vez, direcionada a Minas Gerais: leiloar quatro das principais usinas da Cemig, já pagas pelo povo através da tarifa de energia. Esse ataque, apesar de extremamente danoso à soberania, à economia e ao bolso da população, acendeu uma luz de esperança e luta para o povo mineiro.

O leilão, já agendado para 27 de setembro, envolve as usinas São Simão, Miranda, Jaguara e Volta Grande. Determina a venda da concessão dessas usinas por 30 anos, com valor base de R$ 11 bilhões. Se houver o leilão, a grande tendência é que empresas privadas internacionais “vençam” a disputa. Assim, será transferido um patrimônio público, já pago pelo povo, para transnacionais do setor elétrico e bancos privados. Além disso, o leilão também prevê o valor de venda da energia das usinas. Seria repassado para a conta de energia o rombo. Isso significa que, por ano, haverá um acréscimo de cerca de R$ 1,3 bilhão nas contas de luz. Ou seja, o povo, que já pagou pelas usinas, teria que pagar novamente.

Ocorre que a União, que quer leiloar as nossas usinas, deve quase R$ 50 bilhões para o estado de Minas Gerais, por conta da Lei Kandir. Essa lei perversa isenta os setores que mais lucram na economia de Minas (mineração, agronegócio) de importantes impostos estaduais. Desde que foi aprovada, em 1996, causou uma queda de arrecadação em Minas da ordem de R$140 bi. Esse dinheiro deixou de ser investido em saúde, educação e desenvolvimento.

Mas como esse ataque à nossa energia, e as dívidas da União com Minas podem ser uma luz? A ideia que surge nesse contexto é que o governo de Minas crie coragem, abata parte da dívida que a União tem com o estado e garanta três medidas: não deixar privatizar as usinas e manter a operação com a Cemig; reduzir o preço da energia e criar um fundo estadual para saúde, educação, moradia, terra, desenvolvimento, empregos e direitos para o povo mineiro. Isto garantiria que os recursos gerados pelas usinas e parte da dívida da União não sejam convertidos em lucro para banqueiros rentistas e possam ser controlados de fato pela população do estado.

Para as organizações populares e para o povo em geral, a luz é sempre luta: por isso já existe um grande processo de conscientização e mobilização. O povo vai tomando pra si a luta contra a privatização e para assumir o controle das grandes riquezas do nosso estado.

Edição: Joana Tavares