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O que tu indica? | "O filme da minha vida"

O filme foge do estereótipo do cinema comercial nacional

Brasil de Fato | Recife (PE)

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O fio condutor da história é a ida de Nicolas, pai de Tony, para a França, sem motivo aparente e perspectiva de retorno / Divulgação

Pra quem gosta de cinema nacional e quer fugir das comédias românticas produzidas em série, “O filme da minha vida”, baseado no livro "Um pai de cinema" é uma boa opção. O longa metragem conta a história de Tony Terranova (Johnny Massaro), filho de um francês e uma brasileira que vivem em Remanso, no Rio Grande do Sul. O fio condutor da história é a ida de Nicolas, pai de Tony, para a França, sem motivo aparente e perspectiva de retorno.

O diretor e ator Selton Mello, que também dirigiu “O palhaço” (2011), foi procurado pelo autor do livro, o chileno Antonio Skármeta, para dirigir o filme ambientado no fim da década de 1940, na era de ouro do rádio e quando a televisão era apenas uma promessa. Com paisagens da Serra Gaúcha, o filme também traz pequenas tiradas de metalinguagem nas diversas cenas que falam sobre o que é um filme e nas cenas dentro do cinema, que dão pequenas reviravoltas na vida do protagonista. A fotografia do filme é um elemento à parte. Dá gosto de ver e perceber como cada elemento que aparece em cena é pensado e compõe a história.

A partir da ida de Nicolas, Paco, interpretado por Selton Mello, se torna um amigo da família. O “toca teus caminho, guri” dito pelo amigo se torna uma espécie de mantra para Tony, que vai estudar na capital e volta como professor de francês na escola de Luna (Bruna Linzmeyer), que é apaixonada por Tony. A atuação da personagem de Selton é crucial para o desenrolar da história, ainda que de forma oculta, como num teatro de marionetes.

Com tiradas cômicas vindas do núcleo infantil e cenas de reflexão familiar propostas pela família de Tony e Luna, o filme foge do estereótipo do cinema comercial nacional, que é consumido instantaneamente a partir de uma temática geralmente superficial. “O filme da minha vida” propõe reflexões que ultrapassam o acender das luzes da sala de cinema.

*Vanessa Gonzaga é estudante de jornalismo e estagiária do Brasil de Fato Pernambuco

Edição: Monyse Ravena