Biodiversidade

Quilombolas do Vale do Ribeira promovem 10ª Feira de Troca de Sementes

Representantes de cerca de 20 comunidades quilombolas, do Paraná e de São Paulo, participaram da atividade

Brasil de Fato | Eldorado (SP)

,
Lideranças alertaram para a necessidade do fortalecimento e da mobilização das comunidades frente ao desmonte de direitos do governo federal / André Luiz Moraes

Quilombolas do Vale do Ribeira promoveram no sábado (19 ), no município de Eldorado - da região sul do Estado de São Paulo, na divisa com o Paraná -, a décima edição da Feira de Troca de Sementes e Mudas Tradicionais Quilombolas. O encontro tem por objetivo manter a biodiversidade, promover a cultura e propiciar um ambiente de discussões sobre as principais questões da luta dessas comunidades.

A Feira aconteceu numa escola estadual, com participação de cerca de 500 pessoas. Pela manhã, lideranças falaram para a plateia; à tarde, na praça central de Eldorado, os trabalhadores montaram uma feira aberta para vender produtos agrícolas e trocar mudas e sementes. Aconteceram também apresentações culturais, como roda de capoeira e de violeiros.

Representantes de cerca de 20 comunidades quilombolas, do Paraná e de São Paulo, participaram da Feira. O evento teve apoio do Instituto Socioambiental (ISA) e da Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas (Conaq).

Para Ivo Santos Rosa, do Quilombo de Sapatu, que participa da feira há dez anos, “o evento é importante para manter tradicionalmente o sistema agrícola Quilombola”. Na avaliação de Ronaldo dos Santos, coordenador executivo da Conaq, “a feira ajuda a guardar, proteger as nossas sementes. O nosso território é um espaço guardião da semente. Os quilombolas poderão sair daqui mais fortalecidos”.

Já o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) afirmou que é preciso haver mais eventos como a feira, para tornar a luta quilombola mais coesa e visível.

O Vale do Ribeira é uma das regiões com um dos maiores números de Quilombos do Brasil, com 66 comunidades identificadas - mas apenas seis delas, com título de terra. No Paraná, por exemplo, até 2008 havia 86 comunidades identificadas, 36 delas já reconhecidas pela Fundação Cultural dos Palmares.

Resistência

Na abertura do evento, Ronaldo dos Santos alertou para a necessidade do fortalecimento e da mobilização das comunidades frente ao desmonte de direitos do governo federal. O quilombola, que atua em Brasília, mostrou-se preocupado quanto a possíveis mudanças nas regras de demarcação de terras, o que facilitaria a apropriação dos remanescentes de quilombos por latifundiários.

Denildo Rodrigues (conhecido como Biko), também da Conaq, afirmou que as comunidades quilombolas, composta por cerca de 5 mil remanescentes envolvendo cerca de 16 milhões de pessoas em todo o Brasil, precisa lutar pelos seus direitos. “É preciso ocupar o espaço e pressionar o legislativo e o judiciário a votarem a nosso favor”, afirmou.

Biko alertou para a necessidade de um número cada vez maior de pessoas assinarem uma petição em defesa da manutenção da lei que garante a demarcação dos territórios quilombolas. Uma campanha articulada pela Conaq já alcançou 80 mil assinaturas, mas precisa de um número ainda maior. 



*Estudantes de Jornalismo da Universidade Positivo, sob supervisão do professor Marcelo Lima. 

Edição: Ednubia Ghisi