Desmonte

“Esse governo está vendendo o país como se fosse representante imobiliário”, diz Lula

Milhares de trabalhadores se reuniram em Ipojuca (PE), em ato para defender seus empregos

Brasil de Fato | De Ipojuca (PE)

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Ex-presidente criticou medidas de Michel Temer e defendeu retomada do crescimento econômico / Mídia Ninja

A Caravana Lula pelo Brasil participou de ato político em defesa da indústria petrolífera e naval em Ipojuca (PE), região metropolitana do Recife, município onde tais setores se desenvolveram durante os governos do Partido dos Trabalhadores. 

“Eles estão destruindo tudo que fizemos de investimento, transformamos Ipojuca em um centro de desenvolvimento regional e na cidade com o segundo PIB do estado de Pernambuco, eles estão sucateando para depois conseguir vender. Esse governo está vendendo o país como se fosse representante imobiliário”, afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a manifestação.

A ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) lembrou que o maior contingente de trabalhadores do Complexo de Suape eram pessoas que trabalhavam anteriormente no corte de cana. “Aqui provamos que o trabalhador que antes era massacrado no corte da cana poderia se transformar em um trabalhador metalúrgico”, lembrou com orgulho.

Em Ipojuca se localiza a Refinaria Abreu e Lima, parte do  Complexo Industrial Petroquímico de Suape e responsável por 28% da produção de diesel do Brasil. A unidade de refino só foi parcialmente concluída, e processa 100 mil barris de petróleo por dia: se estivesse concluída a capacidade de processamento seria de 250 barris. 

Contexto

Dário Andrade é metalúrgico desde 2008 e trabalha em uma das indústrias que se situam no acesso ao Complexo Industrial Petroquímico de Suape. Ele conta que na fábrica onde trabalha, do ano de 2016 para cá, o quadro de funcionários passou de 700 para 550: “Todo dia o desemprego se aproxima mais de mim, estou muito preocupado, todo dia vemos um companheiro de trabalho ser demitido”.

O primeiro emprego de Lucas Conceição foi na indústria metalúrgica. Começou como aprendiz e hoje ocupa o posto de serralheiro uma fábrica que instala geradores de energia usados em navios. Como a produção de navios praticamente acabou no complexo de Suape, a indústria onde Rafael trabalha já demitiu, segundo ele, 85% dos funcionários. Lucas é casado e tem dois filhos. “Eu ainda estou empregado, mas não sei por quanto tempo”, afirma. 

Gildo Amâncio trabalha na Petrobras desde 2009 e ressalta que uma das melhores coisas de trabalhar na estatal era a estabilidade, que agora está ameaçada. “Não sinto mais segurança na empresa depois que Temer assumiu. A empresa não respeita mais nosso acordo coletivo, eles querem retirar todos os direitos que nós acumulamos durante anos”, apontou.

Dados

Dados do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco apontam que em 2015 o setor naval no estado empregava 11 mil trabalhadores. Hoje, são 5500. 

Em 2016, o estado de Pernambuco, teve cerca de 400 mil admissões, enquanto 455 mil trabalhadores foram desligados dos seus postos de trabalho, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).  O saldo negativo de 55 mil empregos equivale a 4,1% dos postos de trabalho no estado. Na indústria, a redução foi de 14.500 postos. O ramo da indústria mais atingido foi o metalúrgico: 1769 postos  a menos.

Segundo a Consultoria Econômica em Planejamento (Ceplan), Pernambuco perdeu 90 mil postos de trabalho desde a adoção do plano de austeridade pelo governo federal ainda no governo Dilma Roussef (PT). Desde o impeachment esse cenário só tem se aprofundado e o índice de desemprego no estado saltou de 7 para 11%, ainda de acordo com o levantamento, mesmo os funcionários que se mantiveram nos empregos tiveram uma redução de renda em torno de 25%. 

José Maria Rangel, coordenador geral da FUP, atribui à operação Lava Jato a destruição de cerca de 3 milhões de empregos no Brasil nos últimos dois anos. “O próximo alvo da Lava Jato é a Petrobras. É espantoso ver o abandono da Refinaria Abreu e Lia”, diz. 

Paulo Cayres, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, diz que a operação deveria se chamar “desemprego a jato”. “A cada pessoa que vai presa com ou sem provas são 30 mil novos desempregados no Brasil”, conclui.

A Caravana Lula pelo Brasil fica no Recife até sábado (26) e deve durar até o dia 5 de setembro, se encerrando em São Luís do Maranhão.  

Edição: Rafael Tatemoto