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600 famílias correm o risco de serem despejadas no sul de MG

Conflito em Ariadnópolis é um dos maiores e mais antigos do estado

Belo Horizonte

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Terreno já foi destinado para reforma agrária, agora decisão e famílias que moram no local estão ameaçadas / Marcelo Di Carli / SEGOV



Após quase 20 anos produzindo e vivendo em terreno que antes era improdutivo 600 famílias correm o risco de ser despejadas.  Decreto do governo estadual, que garantia terra a agricultores, está suspenso pela Justiça. Pequenos agricultores da zona rural de Campo do Meio, no Sul de Minas, vivem um sério impasse. Eles aguardam que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais autorize a desapropriação do terreno em que vivem e plantam há quase 20 anos. A área foi desapropriada pelo governo estadual, em setembro de 2015 através do decreto 365. No decreto o governador define que a área da antiga Usina Ariadnópolis e duas áreas do estado sejam destinadas à reforma agrária. No entanto, a medida está ameaçada por uma ação na Justiça.

O processo judicial foi aberto pelos antigos donos da propriedade, a Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo. Eles pedem a suspensão do decreto. Os principais argumentos são de que a sociedade é contrária à permanência dos agricultores na cidade e de que a usina voltará a funcionar. Silvio Netto, da coordenação estadual do MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, contradiz as afirmações.

“A Câmara dos Vereadores, o bispo da região, sindicatos e universidades são favoráveis e tem clamado pela solução deste conflito. As estruturas da antiga usina não passam de ferro velho e a região toda se converteu em plantações de café. Não existe mais espaço para a cultura da cana naquela região.

Segundo o movimento, os antigos donos da usina possuem uma dívida de 380 milhões de reais com o Estado, entre impostos e empréstimos, e dívidas trabalhistas com mais de 700 ex-funcionários. Para tentar resolver a situação, está prevista uma audiência de conciliação no dia 31 de agosto. Neste dia também acontece a reavaliação da ação ordinária de antecipação de tutela, pedida pelos donos legais da terra. Participam da audiência o MST, o Ministério Público e os ex-proprietários. Mesmo que o decreto seja suspenso, as famílias garantem que não vão abandonar as terras, já que produzem e vivem nela há duas décadas.

Edição: Minas Gerais