Semiárido

Pernambuco volta a receber Lula em ato pelo Semiárido e pela democracia

Caravana Lula pelo Brasil volta a Pernambuco e é recebido por sertanejos

Brasil de Fato | Ouricuri (PE)

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Lula em ato em Ouricuri, Pernambuco. / Foto: Mídia Ninja

“Sertanejo é um herói sem fingimento

É um bravo guerreiro e lutador”.


Juarez Nunes, poeta de Ouricuri. 

No dia em que o golpe completou um ano, travestido de impeachment, pernambucanos de diversos municípios do Sertão de Pernambuco se reuniram na Praça Voluntários da Pátria, no centro de Ouricuri, Sertão do Araripe de Pernambuco, para participar do ato “Pelo Semiárido, pelos direitos e por Lula” convocado pela Frente Brasil Popular, partidos políticos, sindicatos e organizações da sociedade civil. O evento aconteceu na tarde desta quinta-feira (31), como parte da “Caravana Lula pelo Brasil". 

O ato, fortemente marcado pela identidade sertaneja e dos povos do Semiárido, contou com a presença de muitos trabalhadores e trabalhadoras rurais, mas também de políticos e gestores municipais, deputados, senadores e militantes de movimentos populares e artistas, além da presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o comerciário Júnior Silva, de Ouricuri, o fato de Lula estar na cidade era motivo de muita alegria. “Foi na presidência deles que os brasileiros tiveram voz e vez, principalmente nós nordestinos, sertanejos, pernambucanos. E eu quero Lula lá de novo”, disse. 

As políticas dos governos Lula e Dilma e suas transformações para a população sertaneja e rural deram a tônica do ato, durante toda a manifestação nomes dos programas criados no governo petista eram entoados, como os programas Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, Programa Universidade Para Todos (Prouni), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa de Alimentação Escolar (Pnae), Cisternas que captam água da chuva, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) entre outras. 

 

Da plateia, agricultor José Rodrigues, de Bodocó, esse disse animado em participar do ato da Caravana. “Não existe uma caravana mais bonita que essa, que é feita pelos trabalhadores e pelas organizações. Porque o que ela defende é cidadania e não o agronegócio. O agronegócio diz que vai dar emprego, mas emprego a quem? Ao dono da máquina que desemprega? Essa caravana não, ela defende a raiz da verdade”, disse. 

O agricultor Enoque Ferraz, da Agrovila Nova Esperança, zona rural de Ouricuri, fez uma fala representando os agricultores presentes e emocionado lembrou das mudanças em sua vida. “Sou pai de 13 filhos e há cerca de 30 anos a gente passava mal porque não tinha como sobreviver folgado. Tinha que buscar trabalho na emergência [frentes de emergência] e chegava lá já com fome. De 15 anos pra cá as coisas melhoraram e agradeço principalmente a Lula que está passando no Araripe e na nossa cidade de Ouricuri”, disse.

Em sua fala, Lula destacou as ações que foram realizadas em prol da agricultura familiar. “Quando eu entrei no governo eram R$ 2 bilhões destinados para o pequeno produtor rural. Quando a Dilma deixou o governo já eram R$ 30 bilhões de investimento nessa área”, destacou. E que em seu governo todos os municípios foram beneficiados, mesmo só que tinham gestores não aliados. “Duvido que tenha algum prefeito que diga que eu não o respeitei, que tenha algum momento desse país que as prefeituras não foram tão bem tratadas”, disse. 

E reforçou que uma de suas prioridades foi uma mudança na região Nordeste. “O Nordeste só aparecia na televisão com os piores índices do país. Eu pensava por que o Nordeste tem que ser o primo pobre do país? Resolvi tratar o Nordeste com o respeito que merece. E criei o Bolsa Família para garantir o pão, o leite, o alimento para cada criança desse país”, disse. Sobre o momento político do Brasil, o ex-presidente reforça que está sendo perseguido com o objetivo de impedirem uma possível candidatura sua. “Nós estamos vivendo um modelo delicado no Brasil. Eles têm como objetivo tentar deixar que o Lula não seja candidato a presidente e por isso que estão com processo contra mim. Se provarem alguma coisa contra mim eu tenho coragem de vir aqui pedir desculpas. Mas eu só queria que se não encontrarem nada que eles me peçam desculpas”, afirmou.

A região do Sertão do Araripe é marcada por diversas ações do governo petista, com grande impacto na vida da população. No entanto, algumas obras são questionadas pelos movimentos e organizações por seu processo de implementação e por não trazerem benefício direto para a população local. Uma das faixas hasteadas no ato trazia a mensagem “As cisternas é que fazem o Sertão virar mar. É água para beber e para plantar”, em uma direta referência ao Canal do Sertão que sempre reforça a chegada da água na região e é uma das obras da Transposição do Rio São Francisco. 

Em seu discurso durante o ato, Alexandre Henrique Pires, da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) reforçou a importância da política de cisternas no Semiárido Brasileiro, mas também colocou a importância da construção de uma Política Nacional de Convivência com o Semiárido, além da reforma agrária e da democratização dos meios de comunicação. “Precisamos enfrentar a mídia golpista desse país que deu o golpe na Dilma. Conte com a com o povo do Semiárido”, afirmou.

Jaime Amorim, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, reforçou a importância da candidatura de Lula em 2018. “O povo brasileiro e do Nordeste não precisa de mito. Nós precisamos de liderança, e o povo espera que você seja nossa esperança para conduzir nossos sonhos e desejos. Por una pátria livre”, evocou. 

A Caravana “Lula pelo Brasil” seguiu de Ouricuri, em Pernambuco, para o estado do Piauí. Ela já passou também pelos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Do Piauí, seguirá para o Maranhão, onde encerra as atividades na próxima terça-feira (05). 

Edição: Monyse Ravenna