Lixo reciclável

Perfil | Paulo Pequeno e a grandiosidade de catar papel

Presidente da associação Novo Amanhecer é um dos muitos trabalhadores que recorrem ao lixo reciclável para sobreviver

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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No dia 7 de setembro a associação celebra 10 anos da ocupação do barracão que garantiu uma vida melhor a quem sobrevive da coleta de lixo / Carolina Goetten

Há 25 anos, quando o catarinense Paulo Duarte Pequeno viu no lixo reciclável uma oportunidade para a geração de renda, o pagamento era de dois centavos por quilograma de papel. Hoje, um quilo de papelão vale de 45 a 50 centavos. Paulo Pequeno, como é conhecido, é o presidente e um dos 62 trabalhadores que fazem parte da Associação de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis Novo Amanhecer, localizada no bairro Fazendinha, em Curitiba.

A profissão de catador se mostrou, para muitos, uma alternativa viável diante do desemprego, realidade que atinge migrantes em busca de melhores condições de vida em todo o país. “Cheguei a trabalhar como funcionário de uma empresa, mas sempre foi muito difícil arranjar serviço”, lembra. Diante da dificuldade em se estabilizar, ele começou a trabalhar por conta e sair de bicicleta. “Fui catando lixo, catando e catando. No fim, gostei de catar”, conta.

Por um novo amanhecer

Com sede no bairro Fazendinha, a Associação Novo Amanhecer surgiu em 2003 a partir da importância de organizar trabalhadores que sobrevivem da coleta de material reciclável. Entre eles, o dia 7 de setembro marca uma data a mais, além do feriado da independência no Brasil: nesta quinta-feira, eles celebram uma década da ocupação do barracão que garantiu uma vida melhor a quem sobrevive da coleta de lixo. O local substituiu as casas das famílias como depósito e garante um espaço adequado para armazenagem, separação e trabalho coletivo – mas está sob ameaça de despejo por parte da Secretaria de Estado da Administração e da Previdência, ligada ao governo do governador Beto Richa (PSDB).

A maior parte das famílias associadas à entidade são catadores e catadoras vítimas da desigualdade social e do preconceito no mercado de trabalho. Paulo Pequeno interrompeu os estudos no segundo ano do Ensino Médio. Sabe ler e escrever – foi em um curso de alfabetização para catadores que conheceu a esposa, Marlene Vargas, com quem compartilha a casa e a profissão. Mas, nos momentos de folga das tarefas administrativas, ele gosta mesmo é de assistir a filmes no DVD. “Mas só de terror”, informa. Entre os favoritos, menciona o clássico longa Sexta-feira 13.

Com 53 anos, Pequeno tem planos para a aposentadoria. Ele quer voltar a Canoinhas com a esposa e retomar os estudos. Confuso entre as novas leis trabalhistas, não sabe quando isso será possível, mas tem uma certeza: “Tem que tirar esse presidente de lá”.

Edição: Ednubia Ghisi