Argentina

Em prisão domiciliar, Milagro Sala critica: nem genocidas são tão vigiados assim

Prisão da líder indígena argentina é criticada por diversos organismos internacionais; casa tem câmeras e microfones

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Milagro Sala gravou um vídeo pedindo que Santiago Maldonado apareça com vida; ele está desaparecido há mais de um mês / Reprodução/Twitter

A líder indígena argentina Milagro Sala foi transferida, na última semana, para uma prisão domiciliar na província de Jujuy, no norte do país. A detenção é vista como arbitrária por diversos movimentos populares argentinos.

Sala ficou presa por mais de 500 dias em condições, denunciadas por ela, como de violação de direitos humanos.

Em entrevista ao jornal argentino Página/12, ela critica a transferência, dizendo que apenas mudou de uma prisão para outra. 

A decisão de transferi-la para uma prisão domiciliar foi tomada após diversas recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à OEA, Organização dos Estados Americanos, e reiteradas críticas realizadas pela ONU.

Milagro Sala reclama que mesmo agora, quando está em prisão domiciliar, ela não foi levada para a casa dela onde vivia com o esposo. O local onde ela está teve que ser adaptado para recebê-la.

No Twitter, a organização Tupac Amaru postou imagens da casa para onde Sala foi levada:

Ela denuncia ainda que sequer os genocidas, como se refere aos ditadores do país, tinham tanta vigilância e aparato policial. Caminhões da polícia ficam dia e noite diante da casa em que ela está.

Além disso, a residência possui microfones, cercas e câmeras de segurança, que só não foram colocadas também no interior da casa por impedimento da filha e do advogado de Sala. As visitas também são restritas.

Sobre essa situação, Sala se diz humilhada: “Eu fui ensinada a nunca abaixar a cabeça. Aqui, eu tive que abaixar. Me humilharam, me maltrataram de uma maneira que nenhum ser humano merece ser tratado. E agora continuam a me maltratar”.

Sala é uma das líderes da organização indígena Tupac Amaru e foi detida junto com outros militantes em 2016, quando participava de uma manifestação contra cortes em programas sociais do país.

Por esse motivo, a líder é considerada uma presa política.

Ainda com relação a sua prisão, Sala afirma que se o governador da Província de Jujuy, Gerardo Morales, considera que as políticas que estão sendo adotadas por ele na região estão boas, “que me dê liberdade para poder competir como adversários políticos”.

Sala também gravou um vídeo no qual pede que Santiago Maldonado, desaparecido há pouco mais de um mês após ter sido levado pela guarda local enquanto participava de um protesto, apareça com vida:

Edição: Vanessa Martina Silva