Lava Jato

Vinda de Lula a Curitiba nesta quarta tem caráter diferente do dia 10 de maio

Frente Brasil Popular organiza um ato político para receber Lula, que depõe pela segunda vez como réu na Lava Jato

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Cerca de 30 mil manifestantes prestaram solidariedade ao ex-presidente, na última vez que ele esteve em Curitiba / Ricardo Stuckert

O ex-presidente Lula (PT) volta a Curitiba nesta quarta-feira (13) para prestar seu segundo depoimento como réu na operação Lava Jato. Ontem, o presidente do PT no Paraná e ex-deputado federal Florisvaldo Fier conhecido como Dr. Rosinha, convocou uma coletiva de imprensa e divulgou detalhes sobre a programação da 2ª Jornada de Lutas Pela Democracia. Assim como no dia 10 de maio, os atos em solidariedade a Lula foram organizados pela Frente Brasil Popular, que reúne movimentos sociais e sindicais de várias categorias.

“Não é um ato semelhante ao do dia 10”, esclareceu Dr. Rosinha ao início da coletiva. “Não é um evento 'de massa'. Terá mais o caráter de debate”.

Cerca de 30 mil militantes ocuparam Curitiba por ocasião do primeiro depoimento de Lula, sobre o “caso triplex”, em maio. A maior parte deles chegou no dia anterior à vinda do ex-presidente, e ocupou um terreno próximo à estação rodoferroviária. “Desta vez, não teremos acampamento”, afirmou o deputado federal.

Isso não significa que não haverá militantes de fora de Curitiba. Cerca de 4 mil pessoas, divididas em 50 caravanas do interior do Paraná, devem chegar à capital nas primeiras horas do dia. Não haverá caravanas de outros estados – apenas ônibus isolados, de militantes que se reuniram de forma autônoma para prestar solidariedade a Lula.

O local onde será realizada a 2ª Jornada também muda. Em vez da Praça Santos Andrade, os militantes vão se reunir na praça Generoso Marques, também na região central de Curitiba.

Programação

O ato político começa às 15 horas, com apresentações gratuitas dos músicos Pereira da Viola, de Minas Gerais, e de artistas curitibanos como Elian Woidello e os grupos Samba da Resistência e delGhetto. O depoimento de Lula está agendado para o início da tarde no prédio da Justiça Federal, no bairro Ahú.

O Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente Lula de receber dois imóveis da empreiteira Odebrecht, em troca de benefícios em contratos com a Petrobras.

A suposta propina teria sido paga com um apartamento em São Bernardo do Campo e um terreno em São Paulo, para construção de uma nova sede para o Instituto Lula.

Mais uma vez, o que pesa contra Lula não são provas documentais, mas sim, depoimentos concedidos sob pressão, em troca de benefícios – as chamadas “delações premiadas”. Por isso, às 16h30, está prevista uma aula pública com o ex-ministro da Justiça, Eugenio Aragão, sobre os métodos utilizados pela operação Lava Jato. Em seguida, haverá uma breve cerimônia de lançamento do livro “Comentários a uma sentença anunciada: o processo Lula”, publicado pelo Projeto Editorial Práxis, com apoio do Instituto Joaquín Herrera Flores e Instituto Declatra. A obra, organizada por juristas, traz argumentos técnicos relativos à primeira sentença do juiz de primeira instância Sergio Moro contra o ex-presidente.

João Pedro Stédile, integrante da direção nacional do MST e da Frente Brasil Popular, será chamado ao palco para explicar o “Plano Popular de Emergência”, um programa construído pelos movimentos sociais com medidas para combater o atual desemprego e falta de investimentos no país.

Lula encerra o ato político com um discurso previsto para as 19 horas, após o depoimento. O presidente estadual do PT insistiu no caráter pacífico das manifestações e ressaltou que os militantes são orientados a não aceitar nenhum tipo de provocação.

Edição: Ednubia Ghisi