Poesia

As histórias do Aglomerado da Serra, em BH, retratadas em verso e prosa

Livro escrito a 27 mãos é homenagem Mano Betto e relembra memórias de periferias da capital mineira

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Iniciativa surgiu dos próprios moradores, em parceria com a organização Família Rumo Certo Hip Hop e coletivo Lá da Favelinha / Divulgação

As histórias, vivências e experiências dos moradores do Aglomerado da Serra, na região Sul de BH, relatadas em verso e prosa. Essa é a proposta do livro “Viva em Verso”. Escrito a 27 mãos, a obra traz diversas poesias dos moradores da comunidade e também de outras regiões periféricas de BH.

A iniciativa surgiu dos próprios moradores, em parceria com a organização Família Rumo Certo Hip Hop e com o coletivo Lá na Favelinha, em 2015. A ideia inicial era algo mais simples: organizar poesias e vender as impressões pelas ruas de BH. Com o passar do tempo, a proposta amadureceu, ganhou corpo, ilustrações e 64 páginas. 

Para Samora Nzinga, um dos 27 escritores, a consolidação do livro, por si só, já é algo para comemorar. “A ideia, produção e concretização do livro já é revolucionário. Não é algo comum a galera da periferia escrever poesia, muito menos organizar e publicar um livro”, comenta.

Memória

O livro é também uma homenagem a Mano Betto, escritor, compositor e um dos autores da obra. Poeta da rua do Bosque, Mano Betto foi um dos primeiros a participar da iniciativa. Enviou poemas e também ajudou no processo de construção do livro. Em 2015, com apenas 26 anos, Mano Betto faleceu, mas a sua obra segue viva nos versos do livro. 

“Foi muito forte e muito doloroso para todo mundo. E aí nós decidimos transformar essa iniciativa em uma homenagem para ele, que escreveu várias músicas, várias poesias, mas não teve sua obra divulgada. Porque a pessoa não desaparece, a obra dela, sentimentos e lembranças continuam vivas”, declara Samora. 

“Viva em Verso” foi lançado em abril deste ano e está à venda, a preço popular, em vários locais de BH. Do valor arrecadado com a venda, 50% vai para a família de Mano Betto, que deixou uma filha de 10 anos. O restante é destinado para os outros autores do livro e para a produção da obra.

A biblioteca do PlugMinas também pode homenagear o artista. A escola está com uma votação aberta para escolher o nome da PlugTeca. Dois autores da literatura mineira e periférica participam da votação: Carolina Maria de Jesus e Mano Betto. Quem quiser conhecer mais a história dos escritores e participar da votação basta acessar: www.plugminas.mg.gov.br

Edição: Joana Tavares