APOIO

Organizações de todo mundo participam de conferência em solidariedade à Venezuela

“Venezuela não está sozinha no mundo”, diz intelectual chinês

Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) |
O Brasil de Fato acompanhou de perto esse grande evento e entrevistou porta-vozes de algumas das delegações internacionais.
O Brasil de Fato acompanhou de perto esse grande evento e entrevistou porta-vozes de algumas das delegações internacionais. - Divulgação

Todos Somos Venezuela. Essa palavra de ordem resume a Conferência Internacional em Solidariedade a Venezuela que começou no ultimo sábado (16) e vai até terça-feira (19). 

Mais de 200 representantes de organizações sociais, movimentos populares, partidos políticos e representantes de governos de 60 países estão reunidos em Caracas, capital venezuelana, para prestar apoio ao governo e repudiar as sanções impostas pelos Estados Unidos. Além de uma carta de apoio ao país sul-americano, o objetivo do encontro é construir uma agenda comum de lutas populares.

As delegações presentes tiveram a oportunidade de visitar empresas socialistas, conselhos comunais, comunidades socialistas, projetos de construção de casas populares autogerido por movimentos populares e outras experiências concretas da Revolução Bolivariana. O Brasil de Fato acompanhou de perto esse grande evento e entrevistou porta-vozes de algumas das delegações internacionais.

Entre as autoridades presentes estava o presidente da Bolívia Evo Morales, que participou de um encontro com o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro e lideranças presentes no evento, realizado no domingo (17). Evo destacou que a melhor ajuda à Venezuela é “respeitar sua soberania” e ressaltou que os Estados Unidos tiveram que reconhecer que a saída para a paz é o diálogo entre o governo venezuelano e a oposição.

“O presidente dos EUA se rendeu, está apoiando o diálogo politico entre o governo e a oposição. Ganhamos a batalha política. Mas, enquanto existir imperialismo e capitalismo nós vamos seguir lutando”, frisou o presidente boliviano.

Maduro agradeceu o apoio recebido nesses dias e disse que acredita no diálogo com a oposição. “Creio no diálogo e espero que dessa mesa de negociação, que está sendo mediada pelo presidente da República Dominicana Danilo Medina e pelo ex-presidente da Espanha Rodríguez Zapatero, saia um acordo confiável e, o mais importante, que saia um sistema permanente de diálogo”, reforçou Maduro.

Apoio internacional

Apesar de receber críticas de alguns políticos, a aprovação do presidente Nicolas Maduro entre as organizações populares ficou clara nessa conferência.

O representante da delegação chinesa, Xu Shicheng, membro da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que a presença dessas organizações na Venezuela é uma demonstração de que o país com apoio internacional.

“Essa conferência deixo claro que a Venezuela não está sozinha. Todos os povos do mundo, da Ásia, da África, da América Latina e de outras religiões, estão ao lado do povo e do governo venezuelano. Todos os povos nos solidarizamos com os venezuelanos e com a Revolução Bolivariana”, destacou Xu Shicheng.

O intelectual chinês informou ainda que o governo da República Popular da China nunca aprovaria uma agressão contra a Venezuela, por considerar esse país um “sócio estratégico”. “Venezuela e China são sócios estratégicos. Temos cooperação tanto política, quanto econômica, científica, tecnológica e cultural. China, assim como a Venezuela, é amante da paz mundial. E também somos firmes defensores de nossa independência, soberania e integridade territorial. Não vamos invadir nenhum país, mas nós amamos nossa pátria e não deixamos que outros países intervenham em nosso assuntos internos. Somos contra a agressão e a intervenção estrangeira”, destacou.

Para a secretaria-geral da organização Índia para a Paz e a Solidariedade, Sonia Gupta, atacar a Venezuela é atacar a democracia. “A Índia é considerada uma das maiores democracias do mundo, por isso, estar aqui na Venezuela é muito importante para nós. Consideramos que o que está sofrendo a Venezuela hoje é um ataque ao espírito democrático. Esse é um valor que a humanidade demorou anos para construir e não podemos voltar atrás. Não podemos permitir, em pleno século 21, que um poder imperial dite qual será nosso destino”, afirmou Sonia Gupta.

Organizações europeias também participaram da conferência. Representante do partido de esquerda La France Insoumise (A França Insubmissa), Christian Rodríguez também falou sobre a importância de apoiar à Venezuela contra às ameaças de intervenção estrangeira.

“É importante somar forças para frear essa política agressiva por parte dos EUA. Portanto, acredito que esse é um bom encontro para reforçar nosso repúdio ao ódio e a violência e reforçar a paz, a autodeterminação e a soberania dos povos”, destacou.

Do Brasil vieram representantes do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), da Alba Movimentos, da União da Juventude Comunista (UJC), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, do PCdoB, além do presidente da TV Senado, Beto Almeida, e membros do PSOL, entre outras organizações.

Edição: Simone Freire