SOBERANIA NACIONAL

Privatização da Eletrobras causará perdas para a população brasileira

Política de desestatização adotada no Brasil vai na contramão da perspectiva de países europeus

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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A Eletrobras é a maior empresa de transmissão de energia do país / Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

A privatização da Eletrobras, colocada em marcha pelo governo golpista de Michel Temer, com a justificativa de tornar a empresa eficiente e competitiva no mercado, não vai trazer benefícios para a população. É essa a conclusão de diversos especialistas em água e energia. 

Para Gilberto Cervinski, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o brasileiro sentirá no bolso o preço da privatização. 

“O preço da luz vai explodir para a população brasileira. Essa energia dessas hidrelétricas são as mais baratas do Brasil, não tem nenhuma empresa privada que venda energia tão barata quanto essas hidrelétricas. Provavelmente, num futuro próximo, poderão ocorrer apagões e a qualidade de energia vai diminuir, porque as empresas privadas não investem para a melhoria do setor, elas apenas querem o máximo de lucro”, afirma Cervinski.

O MAB realiza no Rio de Janeiro, de 1º a 5 de outubro, um encontro nacional, que deve reunir mais de 3 mil pessoas. A privatização da Eletrobras e as formas de resistência aos planos do governo federal estão entre os principais temas do evento. 

A gravidade da situação apontada pelo coordenador nacional do MAB também é destacada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o DIEESE, que elaborou dois estudos sobre a privatização no setor de saneamento e energia. Gustavo Teixeira, técnico da instituição, aponta que a política de desestatização adotada no Brasil vai na contramão da perspectiva de países europeus. 

“Em vários países da Europa e dos Estados Unidos está tendo um processo de reestatização dos serviços públicos, serviço de água e saneamento básico e também do setor elétrico. No caso do setor elétrico, a gente mostra que em vários países da Europa, como Alemanha e França, o setor de distribuição é majoritariamente estatal. Muitos países tem considerado que  o setor de água e elétrico são estratégicos e precisam de um controle social maior", ressalta Teixeira. 

Outra questão preocupante, segundo os especialistas, está na possibilidade de aumento dos acidentes de trabalho. No Brasil, a privatização do setor de distribuição de energia na década de 90 aumentou a terceirização, e, consequentemente, o número de acidentes. 

Os planos de privatização da Eletrobras foram divulgados pelo Ministério de Minas e Energia no mês de agosto. A empresa é responsável pela distribuição de energia para mais de 12 milhões de brasileiros, possui 47 hidrelétricas e mais de 70 mil quilômetros de linhas de transmissão no território nacional. 

Edição: Raquel Júnia