Preconceito

Diversidade também é pauta do MST, apontam jovens sem-terra

Enquanto parte do Congresso propõe a “cura gay”, movimento estimula ações culturais pelo fim do preconceito

Brasil de Fato | Lapa (PR)

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Coletivo LGBT Sem Terra espalhou cartazes sobre diversidade em todo o parque de eventos da Lapa, sede da Jornada de Agroecologia / Oruê Brasileiro

“LGBT não é doença – é purpurina, é resistência!” e “eu beijo homem, beijo mulher – tenho o direito de beijar quem eu quiser”. Essas são algumas das frases estampadas em cor de rosa em diversos pontos do parque de eventos da Lapa, sede da 16ª Jornada de Agroecologia. Enquanto o governo brasileiro propõe liminares que autorizam psicólogos a conduzir terapias de “revisão sexual”, o coletivo LGBT Sem Terra dá uma lição de humanidade.

Além da luta pela reforma agrária e por um planeta livre de agrotóxicos, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) tem por princípio a transformação social. Com base nos pilares e lutas necessárias a um mundo mais justo, uma iniciativa do coletivo LGBT Sem Terra preparou, durante a Jornada, intervenções que mostram o valor da diversidade e fortalecem a luta pelo fim do preconceito.

O grupo preparou cartazes de cor rosa com mensagens contra a violência, dados e estatísticas sobre o contexto vivido por pessoas LGBT e palavras de ordem do movimento. “Estamos aqui para mostrar que o MST também representa a luta de gênero e homossexualidade”, explica o jovem Vinícius da Silva Oliveira, professor em uma escola itinerante para crianças sem terra. “Agroecologia é a cultura da diversidade, e esse foco do movimento deve incorporar também todos os sujeitos que fazem parte da organização”.

Intervindo com cultura

Outra ação do coletivo deve ocorrer nesta noite (22), durante as atividades culturais que integram a programação da Jornada. “Nacionalmente, nossa pauta é marcar presença em eventos e espaços de formação, e mostrar que estamos ativos. Que não temos vergonha de ser quem somos”, diz Ezequiel Monteiro da Costa, estudante da escola Milton Santos, em Maringá, ligada ao MST. O jovem assinala que as imposições religiosas, patriarcais e machistas ainda se mostram muito influentes, mesmo entre a população sem terra. “É nossa tarefa estar nesses espaços e debater a questão de gênero, para contribuir na desconstrução de ideias enraizadas”, destaca Ezequiel.

A missão promete ganhar cada vez mais força: em todo o país, o setor LGBT do MST organiza cursos de formação política, com estudos sobre patriarcado, diversidade e sexualidade humana. “Ao compreender o que vivemos, podemos discutir isso melhor nas bases e com nossos companheiros de luta”, explica Vinicius. Além destas ações, o coletivo prepara um encontro nacional, que deve ocorrer no final do ano, no Paraná.

Edição: Ednubia Ghisi