Coluna

Radar da luta | Questões para a Frente Brasil Popular no Paraná

Confira um balanço das lutas populares e mobilizações da última semana

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

,
Frente foi uma das principais referências na esquerda e na organização contra o golpe no Brasil / Arte: Vanda Moraes

No dia 23 de setembro, último dia da Jornada de Agroecologia, foi organizada a plenária da Frente Brasil Popular do Paraná (FBP-PR) – o quarto espaço estadual de 2017.

Poderia ser quase um “balanço de final de ano”, de tantas coisas já organizadas. Afinal, a FBP foi uma força política importante ao promover as duas jornadas pela democracia, em maio e no dia 13 de setembro, durante os dois depoimentos do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro.

A Frente também foi peça decisiva na construção dos dias nacionais de luta, 8 e 15 de março, 28 de abril e 30 de junho, e também uma das principais referências na esquerda e na organização contra o golpe no Brasil. 

Tarefas urgentes

A inserção nos municípios e a retomada de trabalho de base são tarefas urgentes, não só da FBP, mas de toda a esquerda. Outra necessidade a aproximação e valorização de lutas dos movimentos que estão se organizando contra o racismo, nas questões de gênero, contra a LGBTfobia e outras lutas fundamentais. 

Há pequenos sinais, mas importantes. Em Curitiba, recentemente, a Batalha do Uberaba de hip hop envolveu jovens de vários bairros e foi organizado ao lado da Frente pelo grupo de hip hop DelGhetto. Trabalhos da juventude de agitação e propaganda ganham força, como vimos no dia 13 de setembro. Diferentes artistas se aproximam das atividades, assim como a organização Cultura Resiste. Outras frentes se unificam com a FBP, deixando pouco espaço para sectarismos na política.

Como parte da plenária da Frente Brasil Popular do Paraná, Roberto Baggio, dirigente estadual do MST, apresentou os principais desafios para as regiões, elencados pela reportagem do Brasil de Fato Paraná: o primeiro deles é organizar, no maior número de municípios possível, um coletivo de militantes, com forças políticas amplas, para a construção da Frente; aliado a isso, reforçou a importância de avançar no trabalho de base a partir do Plano Popular de Emergência, lançado em maio deste ano; para ampliar a divulgação das ideias da articulação e a leitura alternativa da conjuntura, Baggio apresentou a necessidade de fortalecer e divulgar os meios de comunicação populares; a quarta questão são as lutas e mobilizações unitárias; e, por fim, enfatizou a importância da formação dos militantes.

Em cidades médias, a FBP fortalece processos regionais, articulações de sindicatos e movimentos, o que já havia antes e que pode ganhar mais força agora. É o caso de articulações já existentes em Ponta Grossa e em Francisco Beltrão, onde fóruns de movimentos sociais já atuavam promovendo lutas e organização. Em outras cidades do estado há experiências semelhantes.

Todas essas questões são insuficientes para o momento, é óbvio. 

Em meio à crise de sentido e de decepção com o futuro colocada pelo desgoverno atual, a Frente também apresentou o Plano Popular de Emergência, uma proposta de retomada de investimentos públicos e sociais, um programa econômico alternativo ao país. 

Mulheres em luta nacional contra fim da aposentadoria

No dia 26, mulheres organizadas em diferentes centrais sindicais denunciaram o fim da aposentadoria com a ameaça de reforma da previdência, em São Paulo. O ato foi organizado pelo Fórum Nacional das Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais (FNMT).

Médicos seguem em greve

Desde julho, os médicos da Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde (Feaes), um vínculo terceirizado da prefeitura, estão em greve em Curitiba. Os funcionários mantêm o percentual de 60% no atendimento eletivo das unidades de saúde vinculadas e 100% nos casos de urgência e emergência.  O caso foi levado para definição na Justiça do Trabalho.

Professores se somam a dia nacional de lutas

Setores do magistério apontaram a participação dos trabalhadores no Ato em Defesa da Soberania Nacional, que acontece no dia 3 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro e noutras capitais, convocado por trabalhadores dos ramos da economia que podem ser vendidos pelo governo: Petrobras, Correios, Eletrobras, bancos públicos entre outros.

Edição: Carolina Goetten