Desmonte

SP: Sindicato dos Bancários realiza campanha de conscientização contra privatizações

Em entrevista, liderança sindical denuncia os ataques a bancos como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso / Reprodução/ Facebook

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), vem organizando uma série de audiências públicas no Estado de São Paulo para debater o desmonte dos bancos públicos, feito pelo governo golpista de Michel Temer do PMDB.

As audiências já foram realizadas em Embu das Artes, Campinas e Carapicuíba. As próximas vão acontecer em Barueri, no dia 6 de outubro, na cidade de São Paulo, no dia 18 de outubro e em Osasco, no dia 7 de novembro.

O Brasil de Fato conversou com a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Silva. Ela destacou os principais ataques que bancos como a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil vêm sofrendo e a importância da mobilização da sociedade em defesa dessas instituições.

Brasil de Fato: Qual o papel dos bancos públicos brasileiros? 

Ivone Silva:  Os bancos públicos hoje no país desempenham um papel importantíssimo. O Banco do Brasil e Caixa são responsáveis por 42% do emprego bancário do país. Outro ponto importante é que eles são responsáveis por 37,6% das agências bancárias no Brasil. E também são responsáveis pelos créditos no país, se você ver o que os bancos privados emprestam, é muito pouco. Então, você percebe que eles não fazem empréstimos e fomentos ao país, o que deveriam fazer. Se você pega a Caixa Econômica Federal, ela é responsável pelo Minha Casa Minha Vida, pelo crédito habitacional no país, então isso também é importante. 

Quais são os principais ataques do governo Temer aos bancos públicos? 

Primeiro, o governo Temer tem feito o Plano de Demissão Voluntária (PDV), que condiciona as pessoas a saírem dos bancos, e em segundo fechando as agências. Muitos municípios só têm uma agência do BB e da Caixa e ele está fechando essas agências, ou seja, as pessoas vão ter que ir para outro município para fazer uma transação bancária. Ele também zerou o orçamento de 2018 do programa Minha Casa Minha Vida, [cujo crédito imobiliário é concedido pela Caixa].

E de que forma essas ações estão prejudicando os trabalhadores desses bancos? 

Isso está prejudicando não só os trabalhadores bancários, mas toda a sociedade. Então imagina uma agência em que várias pessoas aderiram ao PDV e você não tem mais contratação. O bancário tem que trabalhar por dois ou três, e, para a população não tem um atendimento adequado ou crédito. A CEF [Caixa Econômica Federal], em 2015, fez 360 bilhões de empréstimos imobiliário à pessoa física. Se você pegar o Itaú, o Santander, o Bradesco e o HSBC, eles fizeram 86 bilhões. Então, esses dados mostram um disparate. Você vai hoje na CEF e não tem o crédito porque o governo não repassa o dinheiro para fazer o empréstimo. O dinheiro fica com ele e ele não faz esse repasse como os outros governos faziam.

Em sua opinião, qual o interesse por trás desse desmonte? 

É acabar com todas as empresas públicas do país e entregar todo o país aos estrangeiros, porque é o que a gente está vendo. Ou seja, é você não ter mais empresas nacionais no país. É isso que ele tem feito com a Petrobras, com os bancos públicos, com a Eletrobras, acabando com as nossas empresas públicas.

Quais os objetivos das audiências públicas que o Sindicato vem organizando? 

Nós estamos fazendo as audiências públicas para esclarecer e convencer os vereadores, prefeitos e população da importância dos bancos públicos para o seu dia a dia, do crédito imobiliário, dos empréstimos que os bancos públicos dão. Também na questão da comida, porque o financiamento de 70% da comida que chega hoje ao nosso prato é financiado no banco do Brasil, que financia a agricultura familiar. Então a gente vai na nas audiências e dá os dados do município para mostrar o que os bancos públicos ajudam aquela cidade.

Edição: Camila Salmazio