Argentina

Família confirma morte de Santiago Maldonado; reconhecimento foi feito nesta sexta

Mobilizações estão sendo convocadas na Argentina para denunciar que o "Estado é o responsável" por sua morte

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Movimentos populares argentinos exigem justiça pelo assassinato de Santiago Maldonado. / Reprodução

A família de Santiago Maldonado, jovem argentino desaparecido no dia 1° de agosto em uma manifestação, divulgou, na noite desta sexta-feira (20), uma nota em que informam que reconheceram o corpo encontrado nesta semana no país, confirmando a morte do jovem.

Na carta, a família expressa que "a incerteza sobre seu paradeiro acabou". "O calvário que nossa família iniciou no mesmo dia em que soubemos do seu desaparecimento não terminará até obter Justiça", pontuam.

Os movimentos convocaram uma mobilização para a noite desta sexta-feira, no Obelisco de Buenos Aires, capital argentina, denunciando a responsabilidade do Estado na morte de Santiago, exigindo justiça e a renúncia de Patricia Bullrich, a ministra de Segurança. 

O caso

No dia 1º de agosto, oficiais da Polícia Nacional Argentina invadiram o território da comunidade mapuche em Cushamen, comunidade rural localizada no estado de Chubut, na região patagônica argentina. Maldonado foi visto pela última vez "enquanto fugia da perseguição da Polícia Nacional". Testemunhas afirmam que ele se encontrava no local no momento em que ocorreu a repressão.

O caso tem recebido atenção dos movimentos de direitos humanos na Argentina, onde 30 mil pessoas desapareceram durante o regime militar (1976-1983). Os argentinos têm saído às ruas para denunciar o desaparecimento e exigir a aparição com vida do rapaz desde que o seu desaparecimento veio à público.

Na quinta-feira (19), as Mães da Praça de Maio realizaram sua tradicional ronda [quando se concentram na Praça de Maio, localizada na capital argentina, Buenos Aires, para exigirem notícias dos seus filhos desaparecidos durante a ditadura] para reivindicar a justiça para o caso de Santiago Maldonado. Políticos e representantes dos movimentos populares e dos direitos humanos estiveram presentes.

Edição: Mauro Ramos e Simone Freire