Merenda Escolar

Novo ato contra 'Ração Humana' de Doria será realizado neste sábado (21)

"Não vamos permitir que ser humano nenhum coma ração", afirmou uma das organizadoras da mobilização

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Mães de estudantes do ensino público se mobilizam na Avenida Paulista contra a farinata de João Doria / Andre Penner / AP

Familiares de estudantes matriculados no Ensino Municipal de São Paulo (SP) realizam um novo ato neste sábado (21) contra a distribuição de ‘ração humana’ que a gestão de João Doria (PSDB) pretende implementar nas escolas. 

O produto granulado feito a base de Farinata é composto de alimentos em datas críticas de vencimento ou fora do padrão de comercialização e produzido pela empresa Plataforma Sinergia. 

Flor Pacheco, professora de inglês e mãe de um aluno de dois anos de idade do Centro de Educação Infantil (CEI) Diret Pinheiros critica o argumento utilizado pela Prefeitura de que a Farinata será um complemento nutricional de qualidade. 

“Não há um estudo da Farinata. Não há nenhuma lista de quais são os componentes dela. É muito difícil você argumentar que tem valor nutritivo, que vai ser um bem se você não fez um estudo real e não sabe quais são os componentes. Não existe essa necessidade de um complemento, o que existe é a necessidade de uma alimentação real, a gente precisa de comida de verdade ", afirmou.

Diversas organizações, como o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e o Conselho Regional de Nutricionistas (CNR) já se posicionaram contra o alimento processado. 

As manifestações desses órgãos técnicos motivaram o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a abrir uma investigação sobre o caso na quinta-feira (19). De acordo com o promotor de direitos humanos, José Carlos Bonilha, responsável pela ação do MP, o prefeito João Doria deverá apresentar argumentos técnicos para a implementação da Farinata nas escolas.  

"Hoje eu expedi um ofício solicitando que Doria nos esclareça em que consiste esse produto, se o anúncio que ele fez foi precedido de alguma análise técnica, algum laudo que possa validar o valor nutricional dele e se, antes de ele anunciar publicamente a inclusão do produto, procurou testar o produto em algum órgão que aprovasse a possibilidade dele ser incluído no programa. Claro que se chegar a conclusão que ele não possui valor nutricional algum, que não deve ser distribuído, aí sim entraremos em contato com a Prefeitura para que ela impeça a distribuição", explicou. 

De acordo com Flor Pacheco, as mobilizações de familiares vão continuar até que Doria desista de implementar o programa "Alimento Para Todos":

"Os pais estão bem mobilizados. A gente não vai permitir que crianças e que ser humano nenhum coma a ração, não vamos parar os atos até ele desistir disso de fato", disse.  

O "Primeiro Ato Contra Ração Humana na Merenda de Nossos Filhos" foi realizado nessa quinta-feira (19). A próxima mobilização está marcada para este sábado (20), às 18h, com concentração na Praça Roosevelt, zona central da capital paulista. A atividade vai integrar a "Virada Educação 2017", que acontece entre o dia 20 e 21. 

 

Edição: Camila Salmazio