Golpe

Nova política de preços da Petrobras fez o gás de cozinha ficar mais caro

Atual direção da empresa quer se desfazer do setor, ignorando o interesse da população

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Preço agora é submetido ao câmbio e às variedades do mercado europeu / Pedro Ventura / Agência Brasília

Nova política de preços da Petrobras fez o gás de cozinha ficar mais caro. Segundo economista, regras deixam o país atrelado às flutuações do mercado internacional e quem perde é a população. 

Preço do botijão

Entre agosto e outubro, o preço do botijão de 13 kg (gás de cozinha) cresceu 7,15 % no país e 6,8% em Minas Gerais, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 

O que o consumidor final paga pelo produto é a soma de diversos preços: o que é cobrado pela Petrobras (33%), impostos como ICMS, PIS/PASEP e COFINS (20%) e distribuidores e revendedores (47%). 

“Entre 2003 e 2015, não houve reajuste no preço do produtor, na refinaria. Havia uma política de subsídios do governo federal para segurar o gás. O que aumentou foram principalmente os distribuidores e revendedores”, afirma o economista Cloviomar Cararine, que presta assessoria técnica para a Federação Única dos Petroleiros (FUP). 

Nova política

Em junho, com o golpista de Temer (PMDB) na Presidência da República e Pedro Parente na Petrobras, a empresa alterou sua política para esse derivado do petróleo. A partir de então, todo mês, a estatal reajusta o valor cobrado às distribuidoras, tendo como referência a cotação da matéria-prima (butano e propano) no mercado europeu e o câmbio (relação entre real e dólar). Reajustados, os novos preços são repassados por distribuidores e revendedores para o consumidor final. 

A mudança, segundo o economista, explica os sucessivos aumentos nos últimos meses. “Ficamos submetidos ao câmbio e às variações no mercado europeu. Começamos a perceber, então, que há um aumento mensal por conta desses parâmetros”, detalha. 

Ele compara essa situação ao que ocorreu com a gasolina, cuja política de preços, embora tenha diferenças, também está atrelada a flutuações no mercado internacional. “Quando acontece um furacão nos EUA, como no mês passado, e para a produção de algumas refinarias, a gente paga mais caro pela gasolina aqui no Brasil. A mesma coisa com o gás de cozinha: se acontece alguma coisa na Europa, a gente é afetado aqui”, comenta.

Privatismo 

Para Felipe Pinheiro, diretor do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro-MG), com Temer, a Petrobras a passa ter como única  preocupação o lucro. “Não pensam que o gás de cozinha é usado pela população pobre”, critica. 

Ele também ressalta o efeito negativo da privatização, que tem impacto no preço final. “Vão produzir lá fora, gerar empregos e receita fora e depois vender aqui por um preço alto”, avalia.   

Felipe lembra que a Liquigás, outrora pertencente à Petrobras, já foi vendida à Ultragaz. “Essa empresa praticamente vai monopolizar o mercado. Além disso, a Petrobras quer vender parte do setor de refino de petróleo, fazer parcerias com o capital privado. A BR Distribuidora está para ser privatizada. Aos poucos, a Petrobras está se desfazendo de todo o setor e isso tem um reflexo nos preços”, conclui o sindicalista. 

 

Edição: Joana Tavares