São Paulo

Usuários do SUS pressionam gestão Doria por renovação de convênio com Centro de Saúde

Unidade não terá mais verba da prefeitura em 2018 e pode perder 47 funcionários, entre médicos e enfermeiros

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Unidade realiza atendimentos básicos do SUS e é voltada, prioritariamente, à saúde de idosos da região / Divulgação

Uma associação de usuários do SUS, o Sistema Único de Saúde, organiza no próximo dia 30 de outubro, uma manifestação para pressionar a gestão do prefeito de São Paulo, João Doria, a estender o prazo do convênio entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza, unidade de atendimento básico do SUS, vinculada à Universidade de São Paulo.

O convênio entre a prefeitura e o centro, especializado no atendimento básico de saúde e voltado prioritariamente a pacientes idosos, se encerrou em agosto deste ano. Desde então, tem sobrevivido por meio dos chamados termos aditivos, que são contratos temporários entre o município e a unidade.

Em nota, a gestão municipal confirma que ofereceu um novo contrato à unidade, que se encerrará em dezembro de 2017. Mas não há perspectivas para um novo acordo em 2018. A diretora do Centro, Sônia Brolio, explica que a Prefeitura alega falta de recursos para seguir com a parceria. 

"O que eles nos colocam é uma questão de recursos, eles estão nos pedindo recursos financeiros, um corte de, em princípio, 5,75% no nosso plano de trabalho, já para essa prorrogação até dezembro. Se a gente não renova esse convênio, a gente perde esses 47 funcionários. E os funcionários da Universidade não dão conta de manter a mesma qualidade de atenção e de suprir a necessidade de demanda dessa população", afirma Brolio.

Ela destaca que estes 47 funcionários, entre médicos, enfermeiros, entre outros, dependem da verba destinada pela gestão Doria para garantir seus vencimentos.

Para Rodolfo Neder, presidente da Associação dos Usuários do SUS (USOSUS), que está à frente do ato do próximo dia 30, a Secretaria Municipal de Saúde “está confusa, contraditória e arrogante” e tenta impor à gestão do centro uma série de burocracias.

"Enquanto isso não se discute um convênio definitivo. Eles querem, mais do que nada, eliminar o que se chama atendimento básico, que é o mais importante. Atendimento básico é aquele atendimento que se faz de acompanhamento, sobretudo de doenças permanentes", comenta o usuário.

Ainda segundo Neder, o objetivo da gestão Doria é privatizar a saúde no município. "Esse governo atual está muito voltado para a iniciativa privada. Em matéria de saúde pública estão esvaziando os centros de saúde com a finalidade de que os clientes corram para esses 'Dr. Consulta'", comenta Neder, em referência aos serviços privados de saúde que têm se tornado populares na cidade de São Paulo.

O ato dos usuários do SUS acontece no dia 30 de outubro, um dia antes de uma reunião entre a diretoria do Centro e a prefeitura. A unidade está localizada na avenida Doutor Arnaldo, na região central da cidade de São Paulo.

Edição: Daniela Stefano