CINEMA

O que tu indica? | O Jovem Karl Marx

Longa-metragem teve estreia mundial em março deste ano, mas foi boicotado no Brasil.

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Filme tem como diretor o haitiano Raoul Peck, que também dirigiu "I am not Your Negro", indicado ao Oscar. / Divulgação

Boicotado pelos cinemas no Brasil, O Jovem Karl Marx teve estréia mundial em março deste ano. Dirigido pelo haitiano Raoul Peck, que também participou do indicado ao Oscar "I Am Not Your Negro", o filme traz uma parte da história de Karl Marx (August Diehl) e Friederich Engels (Stefan Konarske). Ambientado em Paris, Londres e Bruxelas, o longa mostra com outros olhos a história dos principais pensadores da história até hoje.

O filme desmistifica a imagem de Marx, que no início da sua trajetória como escritor da Gazeta Renana foi perseguido e acumulava pouco prestígio entre os filósofos europeus. Já Engels, filho de burgueses da indústria têxtil, vive a contradição de estudar a formação da classe trabalhadora da Inglaterra ao mesmo tempo que vê seu pai subjugar homens, mulheres e crianças que cumpriam longas jornadas de trabalho em sua fábrica.

Ao se conhecerem, passam a escrever juntos. Jenny von Westphalen , lembrada na história apenas como esposa de Marx é uma das surpresas do filme. Rompendo os paradigmas da época, Jenny não é um acessório de Marx. De origem rica, ela casa e passa a participar da vida política com seu companheiro. Participa de reuniões, revisa e analisa seus textos e o incentiva a continuar com a produção de artigos e textos volantes. 

Outro eixo central do filme são os embates da dupla com filósofos como Proudhon e Weitiling. Os estudos combinados de Marx e Engels entravam em choque com as teorias que conciliavam os trabalhadores e seus patrões. Em uma das reuniões da “Liga dos Justos”, Engels discursa contra essas teorias e renomeiam a liga como “Liga Comunista”. Depois da façanha, os dois se exilam para escrever a primeira das obras que marca o início das lutas da classe trabalhadora na época, “O manifesto do Partido Comunista”. 

O filme, ainda que ambientado no final do século XIX traz reflexões atuais sobre o papel dos trabalhadores na luta em defesa da dignidade e das suas próprias vidas. O desfecho deixa um gosto de quero mais e atiça a curiosidade dos espectadores em saber mais sobre a vida dos personagens. Estrategicamente, o filme encerra no início da vida política da dupla, deixando em aberto a continuidade para outro longa.

*Vanessa Gonzaga é estudante de jornalismo e estagiária do Brasil de Fato Pernambuco.

Edição: Monyse Ravena