Absurdo

Editorial | Aecio Neves não se cansa de afrontar o povo

Tucano é alvo de nove inquéritos no STF

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

,
Plenário do Senado durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia. Senador Aécio Neves (PSDB-MG) em pronunciamento / Jonas Pereira /Agência Senado

O povo mineiro não esquece o que foi ser governado pelo PSDB com Aécio à frente do governo. Com um programa ofensivamente neoliberal, denominado por ele mesmo de “choque de gestão”, seu governo foi marcado pela criminalização dos movimentos populares, perseguição aos jornalistas, nepotismo, privatizações, não pagamento do piso salarial aos professores, não aplicação do mínimo constitucional em saúde e educação, escândalos de corrupção e licenciamento de grandes empreendimentos marcados por inúmeros crimes ambientais, como é o caso da mineração em Conceição do Mato Dentro. 

Minas Gerais não só não esquece o que foi a herança maldita deixada por Aécio e seu sucessor Anastasia (PSDB), como também não quer vê-la de perto nunca mais. Por isso mesmo, Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff em Minas, no primeiro e no segundo turno de 2014. 

Mas o “Mineirinho”, como ficou nacionalmente conhecido após a divulgação da lista da Odebrecht, não aceitou o resultado das eleições e foi um ator protagonista no golpe do impeachment de 2016. Se não bastasse sua participação na consumação do golpe, Aécio tem sido, desde então, um importante articulador para a aprovação das medidas do governo Temer que retiram direitos. 

Carreira em crise

Porém, sua vida política talvez esteja em sua pior fase. Muitos dizem que sua carreira está em ritmo de desfecho. Aécio é alvo de nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), responde a investigações de crimes contra o sistema financeiro, contra a administração pública, recebimento de propina, realização de caixa dois, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, obstrução à justiça e fraude em licitações na obra faraônica da Cidade Administrativa. Somente este ano teve seu mandato de senador afastado duas vezes pelo STF. Mesmo assim, esta semana o presidente do Conselho de Ética do Senado arquivou pedido de cassação de Aécio.

Devido a toda essa crise política, Aécio se licenciou do comando do PSDB e indicou o senador Tasso Jereissati (CE) como presidente interino do partido. O PSDB foi, segundo pesquisa realizada pelo Congresso em Foco, o segundo partido com maior número de políticos barrados pela Lei Ficha Limpa, perdendo somente para o PMDB. 

Se até o PSDB se recusa a ter como presidente da legenda o “Mineirinho”, seremos nós, povo mineiro, que permitiremos que ele permaneça na vaga de senador por Minas Gerais?

 

Edição: Frederico Santana