EDITORIAL

Editorial | Os 100 anos da Revolução Russa. Por que lembrar?

Revolução de 1917 mudou história do século 20 e é referência para ações políticas das organizações de esquerda

Brasil de Fato | Recife (PE)

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Lenin foi uma das lideranças da Revolução Bolchevique. / Arte do Levante Popular da Juventude

Neste ano comemoram-se os 100 anos da Revolução Russa. O objetivo é lembrar o maior feito histórico da classe trabalhadora no mundo e tirar lições políticas para o movimento atual dos trabalhadores. A Revolução de 1917, conhecida como a Revolução Bolchevique, mudou a história do século 20 e constitui uma referência para as convicções e ações políticas das organizações de esquerda, daqueles que tem a classe trabalhadora como protagonista de seu projeto de transformação social.

É preciso lembrar que em um país extremamente pobre, de economia pré-capitalista houve um povo que se rebelou contra a fome, pobreza e guerra, derrubou a monarquia, construiu suas ferramentas de luta e com elas construiu uma Revolução.

Três momentos marcam essa trajetória:

1905 - O ensaio geral.

A monarquia governava sob repressão, jornada de trabalho de 14 horas, salários baixíssimos, fome e miséria. Em janeiro de 1905, uma grande manifestação é recebida por balas de fuzis matando centenas e entrando para a história como Domingo Sangrento. A partir daí multiplicaram-se manifestações populares, greves operárias, levantes camponeses, revoltas de soldados. Surgem os Soviets (assembleias, conselhos populares) que serão fundamentais em todo o processo da Revolução. Com a entrada da Rússia na 1ª Guerra Mundial em 1914, o partido Bolchevique (dos trabalhadores) convoca o povo a lutar contra a participação da Rússia na guerra e aumenta o conflito entre o governo (Czar) e o povo.

A primeira Revolução

Cansados dos efeitos da guerra, que jogou a Rússia na extrema miséria com a escassez de comida, emprego e terras, multidões tomaram as ruas com a palavra de ordem “Pão, Paz e Terra”, sintetizado nas Teses de Abril, de Lenin. Em março de 1917, as mulheres protagonizaram grandes manifestações que resultaram na renúncia do Czar, substituído por um governo provisório com participação de partidos moderados. A alta nobreza seguia governando com privilégios. Manifestações, motins de soldados, operários e camponeses retomam a organização dos Soviets, povos oprimidos se levantam por toda parte, ao ponto de destruir o império dos Czares e a Rússia torna-se uma república de fato.

A verdadeira Revolução

O II Congresso dos Soviets decide tomar o poder e realizar por suas próprias mãos a verdadeira revolução: a extinção da propriedade privada, planificação da economia, construção de base industrial, científica e tecnológica que tirou a Rússia do atraso econômico, do analfabetismo, com avanços impressionantes na saúde, cultura e educação. Além da socialização do trabalho doméstico através de lavanderias, restaurantes e creches públicas garantindo a participação da mulher na esfera pública. É preciso que os trabalhadores saibam que esses direitos são possíveis de se concretizar pela força de sua organização e que a história se faz no conflito e na ação e das classes em luta. E que os trabalhadores/as tiveram a ousadia de provar a possibilidade de construir uma sociedade sem exploradores e explorados, única forma de realizar o projeto da classe trabalhadora, que é a emancipação humana.

Edição: Monyse Ravena