REFORMA AGRÁRIA

Cerca de 500 famílias sem-terra ocupam latifúndio improdutivo em Sacramento (MG)

Camponeses reivindicam o cumprimento da função social da terra

Brasil de Fato | Uberlândia (MG)

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A ocupação é organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) / Divulgação / MST

Cerca de 500 famílias de trabalhadores sem-terra ocuparam, na madrugada de domingo (5), uma área de 13 mil hectares no município de Sacramento, no Triângulo Mineiro. A ocupação é organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que reivindica o cumprimento da função social da propriedade.

Segundo informações dos militantes do MST, as famílias vêm dos municípios de Franca (SP), Uberaba (MG), Pedregulho (SP), Conquista (MG), Sacramento (MG) e povoados de Quenta Sol, Sete Voltas, Jaguarinha, Bananal, Desemboque e Pinheiros.

Em nota, o movimento afirma que a área se constitui de terras devolutas - terras públicas griladas - em que os próprios posseiros repassariam a terceiros, por não utilizarem a área. O movimento destaca também que tal fato é de conhecimento público no município de Sacramento e na região.

A reportagem apurou que os atuais posseiros da terra são ligados à extração de madeiras e possuem empresas sediadas no sul do país. Atualmente não são realizadas atividades produtivas na área. Houve tentativa de estabelecer contato com a empresa, que não retornou até o fechamento desta matéria.

Ocupação homenageia militante do Triângulo Mineiro

Em assembleia, a ocupação deliberou pela homenagem ao militante Jaime Cardoso, do MST do Triângulo Mineiro, que dará nome ao acampamento. Jaime faleceu em outubro deste ano e era casado com Dona Eni Silva, ambos assentados no assentamento Florestan Fernandes, no município de Uberlândia.

Sempre atuante, Jaime fazia parte da Frente de Massas do MST. “Seu Jaime sempre esteve disposto a acolher as famílias sem-terra, despejadas pelo Judiciário a serviço do latifúndio. Animado, tinha sempre uma palavra de incentivo à luta. Seu forte era combater as injustiças e, de maneira especial, a fome”, afirma Aguinaldo Batista, da coordenação estadual do movimento.

Edição: Larissa Costa