Música

Juventude negra movimenta Uberlândia (MG)

Por toda a cidade, acontecem semanalmente eventos ligados à cultura hip hop e ao funk

Brasil de Fato | Uberlândia (MG) |
Grupo Código do Morro ESP no Festival Nós por Nós promovido pelo Levante Popular da Juventude, no bairro Esperança, em 2016
Grupo Código do Morro ESP no Festival Nós por Nós promovido pelo Levante Popular da Juventude, no bairro Esperança, em 2016 - Diego Leão

Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, cada vez mais a juventude negra e da periferia têm ganhado espaço. É o que garantem diferentes grupos locais ligados ao funk ou à cultura hip hop.

“Têm acontecido muitas batalhas de rimas na cidade, além de um número crescente de grupos da periferia, ligados à dança, DJ’s, MC’s e produtores. Todos unidos em prol da cultura hip hop”, afirma Maxwel, o MC Negão, que faz parte do grupo Relato Periférico e da Eternamente Produções, que organizou no último ano diversos eventos no centro da cidade.

No bairro Morumbi, acontece desde agosto, a Batalha da ZL (Zona Leste). Já no bairro Planalto, a Batalha da Z.O. (Zona Oeste) é promovida pelo grupo Treze Clan desde 2015 e se tornou tradicional para parte da juventude uberlandense.

Há ainda diversidade entre os grupos que compõem a cena hip hop da cidade. “O rap é uma forma que temos para protestar e passar uma mensagem de mudança para a juventude. Queremos mostrar como a classe pobre, da favela, enxerga a realidade”, afirma Matheus Fillipe, o MC Colt, do grupo de rap gospel Colhedores de Alma.

Formado apenas por cantoras, o coletivo DMG – DasMinasGerais Hip Hop em uma de suas músicas, chamada “Respeita as minas”, questiona o machismo presente na sociedade e destaca a luta das mulheres por respeito e direitos. “A  DMG não é um simples grupo de mulheres que querem mostrar o corpo bonito ou chamar a atenção dos caras”, destaca Andrea Félix, que é uma das integrantes. O grupo, composto por mulheres com idades entre 17 e 65 anos, procura passar ainda uma mensagem de alegria e superação dos problemas da vida e sociais.

No bairro Dom Almir, nos finais de semana, é o funk que movimenta a juventude. O bairro é o principal polo funkeiro de Uberlândia e milhares de jovens participam dos bailes que acontecem em casas noturnas. Para além de diversão, o funk é coisa séria para muitos desses jovens. É o que garante Johny Magalhães, o DJ Mago SR, da DJ Produções. O grupo, com sede no bairro Esperança, possui uma gravadora e atua em diversos eventos. “Eu estou no funk pela função social. Podemos ajudar um moleque que vem da quebrada e mudar a vida dele pra melhor. Esse é o propósito da minha produtora”, destaca Johny. 
 

Edição: Larissa Costa