Desmonte

Ato contra reforma trabalhista leva mais de 20 mil às ruas de São Paulo

Para organizadores, manifestações são "recado" para Temer. Eles alertam para novos desmontes com reforma da Previdência

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

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Centrais sindicais se unem em ato na Praça da Sé, centro da capital paulista / Mídia Ninja

Centrais sindicais e movimentos populares realizaram um ato unificado nesta sexta-feira (10), na Praça da Sé, região central da cidade de São Paulo, contra a reforma trabalhista do governo golpista de Michel Temer (PMDB). A medida entra em vigor neste sábado (11). De acordo com os organizadores, cerca de 20 mil pessoas acompanharam a manifestação.

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Para Vagner Freitas, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), “não há outra opção que não seja a luta”.

“Eles não conseguiram fazer tudo ainda. Uma coisa foi ter passado no Congresso Nacional, outra coisa é efetivar no chão da fábrica. Se nós tivermos condição dos sindicatos, de ir para cima e impedir a efetivação das medidas, com o apoio dos trabalhadores, nós vamos fazer”, diz o sindicalista.

A reforma trabalhista altera leis que garantem os direitos dos trabalhadores nas relações com patrões, como por exemplo, a prevalência do negociado sobre o legislado. Isso significa que patrões e empregados poderão assinar acordos coletivos que ignorem o que está escrito na CLT, a Consolidação das Leis do Trabalho.

Além deste ponto, outras 13 especificidades nos contratos de trabalho estão ameaçadas, entre elas, a divisão das férias em até três períodos, a participação nos lucros da empresa e o intervalo de trabalho mínimo de 30 minutos.

De acordo com Edson Carneiro, o Índio da Intersindical, o ato desta sexta sinaliza que os trabalhadores estão unidos contra a reforma: “É um grande recado para o Temer, para o Congresso Nacional, para a mídia e para o grande capital que querem dizimar com o direito dos trabalhadores. Já votaram a reforma trabalhista inconstitucional, inaceitável.

Índio lembrou que a retirada de direitos segue em curso no Congresso com a reforma da Previdência: "Querem agora acabar com a aposentadoria e entregar a Previdência pública para os bancos. É fundamental que os setores populares, a classe trabalhadora, os movimentos sociais, todos se unifiquem para a gente parar o país e impedir o desmonte dos direitos".

A reforma trabalhista também pune as mulheres, principalmente com a flexibilização que permite que as trabalhadoras, mesmo gestantes, trabalhem em lugares insalubres, como explica Maria Auxiliadora dos Santos, Secretaria Nacional de Política para Mulheres da Força Sindical.

"Estamos aqui fazendo essa manifestação, porque essa reforma trabalhista vai atingir todos os trabalhadores, mas principalmente as mulheres. As mulheres trabalharem em lugares insalubres quando estiverem grávidas, amamentando, isso é um absurdo", ressalta.

Rafa Mayoral, deputado federal pelo Podemos, na Espanha, também esteve presente na manifestação. O parlamentar disse estar solidarizado com os trabalhadores brasileiros, já que a Espanha também promove um corte similar nos direitos da população. “Nos sentimos identificados com a luta dos trabalhadores brasileiros porque responde à mesma agenda que estão sofrendo os trabalhadores em nosso país. Por isso é tão importante dar os braços, solidariamente entre o povo espanhol e o povo brasileiro na luta contra a agenda neoliberal e em defesa dos direitos sociais."

Foram realizados atos contra a reforma trabalhista em pelo menos 11 estados brasileiros e no Distrito Federal. Acompanhe a cobertura completa aqui.

Edição: Vanessa Martina Silva