Soberania nacional

PR: Petroleiros realizam ato em defesa da Petrobras na Assembleia Legislativa

A venda da Fafen, em Araucária, e a desativação da Usina do Xisto, em São Mateus do Sul, ameaçam a economia das cidades

Brasil de Fato | de Curitiba (PR)

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A desativação da Usina de Xisto e a venda da Araucária Nitrogenados podem levar mais de cinco mil pessoas à fila do desemprego / Pedro de Oliveira/Alep

Trabalhadores do setor petroquímico e petroleiro promoveram, nesta terça-feira (14), um ato em defesa da Petrobras e de seus investimentos no estado do Paraná. Realizada na Assembleia Legislativa, a mobilização alertou para o risco de venda da fábrica Araucária Nitrogenados (Fafen), e a desativação da Usina de Xisto de São Mateus do Sul. Os presentes também discutiram a importância da Petrobras para a economia e a sociedade paranaense.

O diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica do Paraná (Sindiquímica-PR), Gerson Castellano, diz que as ameaças são uma afronta à democracia e ao Estado brasileiro.

“A Fafen, em Araucária, produz fertilizantes e nitrogenados, que têm uma função muito nobre: produzir amônia e ureia. Nossa indústria farmacêutica depende dessa produção”, avaliou.

No Brasil, 76% dos fertilizantes consumidos vêm a partir da importação de multinacionais como a Bunge e a Cargill; apenas 24% é fabricado internamente. “Privatizar a Fafen, que já foi sucateada pelo governo Temer, é uma ameaça à soberania do país nesse setor, à população de Araucária e aos trabalhadores da unidade”, afirmou Castellano, no ato.


Privatizar a Fafen, que já foi sucateada pelo governo Temer, é uma ameaça à soberania do país nesse setor, à população de Araucária e aos trabalhadores da unidade - Gerson Castellano


A proposição do ato na Alep partiu do deputado Tadeu Veneri (PT). “Defender a Petrobras é defender o Brasil e isso é uma tarefa de toda a nossa geração. Por ela, vamos lutar por todas as vias possíveis”, disse o parlamentar.

Estatais em risco

Uma das empresas ameaçadas, a Usina de Xisto de São Mateus do Sul, é capaz de processar mais de cinco mil toneladas de xisto pirobetuminoso por dia – matéria-prima para produtos como gás combustível e enxofre. As finanças do município dependem diretamente da arrecadação de impostos gerados pela usina.

“Ela representa muito para a região do Paraná e tem plenas condições de ser viável economicamente. Basta a vontade política”, propôs o presidente do Sindipetro-SC, Mário Dal Zot. A usina mais de mil funcionários da região, entre contratos próprios e terceirizados, e é responsável por cerca de 50% de toda a arrecadação de São Mateus do Sul.


A usina tem plenas condições de ser viável economicamente. Basta a vontade política - Mário Dal Zot


A Fafen, por sua vez, foi privatizada e voltou a integrar a rede Petrobras em junho de 2013, quando recebeu investimentos de R$ 240 milhões. Hoje, segundo Castellano, a unidade enfrenta o sucateamento imposto pelo Governo Federal: em cinco anos, a fábrica reduziu seu quadro de trabalhadores à metade e negligenciou equipamentos de segurança, quando começaram a ocorrer acidentes de trabalho. Dal Zot argumentou que a possível desativação da Usina de Xisto e a venda da Araucária Nitrogenados podem levar mais de cinco mil pessoas à fila do desemprego.

Também participaram do ato o coordenador da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel; a técnica de Manutenção Plena da Petrobras, Rosângela Maria; o membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens, Robson Formica; e o membro do Coletivo Nacional da Plataforma Operária e Camponesa da Energia, João Antonio de Moraes.

Edição: Ednubia Ghisi