FUTEBOL

Torcedores e ex-jogadores temem pelo futuro do Vasco após polêmica nas eleições

Depois de votação controversa, o clube passa por uma série de investigações e ações judiciais para definir o resultado

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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Sem a urna polêmica, a chapa de Julio Brant teria derrotado a de Eurico Miranda nas eleições para diretoria do clube carioca / Divulgação

A eleição para diretoria do Vasco parece longe de ter um fim. Após a votação controversa, realizada na terça-feira (7), o clube está passando por uma série de investigações e ações judiciais para definir o resultado. Diante desse quadro, torcedores, sócios e ex-jogadores jogadores lamentam a indefinição do clube e temem pelo seu futuro.

Para Geovani Silva, que foi um dos grandes nomes do Vasco e da Seleção Brasileira nos anos 1980, independente de quem ganhou ou perdeu, a justiça tem que ser feita para que o time seja preservado.

“O Vasco não pode ser prejudicado. Antes de acabar o ano isso tem que ser resolvido, se não vai ficar muito ruim. Essa indefinição faz com que o clube não possa contratar jogadores e definir sua estratégia para 2018. Esse ano lutamos para não cair e conseguimos garantir, isso já é alguma coisa. Mas se começar o ano com a indecisão vai ficar difícil. Até o torcedor vai ficar afastado”, afirma. 

A polêmica teve início antes mesmo das eleições começarem, quando uma medida judicial determinou que uma das urnas, a de número 7, teria que ser separada das outras, por reunir grande número de sócios que aderiram ao clube nos meses de novembro e dezembro de 2015, último período autorizado para votar.

No total, 691 sócios estão sendo investigados. Desses, 475 votaram na urna 7.  Nesta urna, a chapa do atual presidente do Vasco, Eurico Miranda, teve 428 votos, contra apenas 48 da chapa de Julio Brant. Ao todo, Eurico teve 2.111 votos contra 1.975 de Julio Brant. Sem a urna polêmica, o opositor teria derrotado Eurico. Brant ficaria com 1.933 contra 1.683 do atual presidente do clube carioca.

“Desde 2006, as eleições para diretoria do Vasco geram polêmica. O que acontece agora é que as chapas de oposição resolveram se antecipar à fraude e ingressaram com pedidos na justiça para que algumas questões fossem apuradas. O torcedor do Vasco hoje sabe sobre decisões jurídicas e não tem a menor ideia de quem vai ser o camisa 10 em 2018. É um clube sem perspectiva nenhuma”, afirma o torcedor vascaíno Leandro Resende.

Em nota enviada à imprensa, o Vasco afirma que as 691 pessoas da lista da urna 7 estão regulares. Na mensagem, o clube ainda "lamenta a forma vexatória como esses sócios foram tratados e se solidariza com cada um deles". Também garante que "nos foros judiciais apropriados, provará que todos eles preencheram suas fichas regularmente, tinham mensalidades em dia lançadas na contabilidade do clube e estavam aptos a votar".

Para Leandro, os vascaínos esperam que os processos caminhem de forma rápida para que o clube inicie o próximo ano se preocupando com o que realmente importa: os jogadores,os títulos, os campeonatos e as vitórias.

“Toda essa história parece  uma briga de vizinhos e não um clube de massas, com milhões de pessoas apaixonadas. Eurico não inspira a menor confiança. Não há lisura alguma no pleito, ele está tentando subterfúgios para se manter no poder, manter uma dinastia de poder. Não há mais espaço para ele no Vasco”, conclui Leandro Resende.

Nesta quinta-feira (16), a juíza Maria Cecília Pinto Gonçalves, da 52ª Vara Cívil do Rio de Janeiro, que está acompanhando o caso, despachou uma liminar em que desconsidera a urna 7 da eleição. Com isto, momentaneamente o candidato de oposição Julio Brant se torna o vencedor, com Eurico Miranda em segundo lugar. A decisão é provisória e ainda cabe recurso.

Edição: Raquel Junia