Opinião

Análise | “Quadrilhão do PMDB” põe à prova os critérios de Moro na Lava Jato

A parte da denúncia pelo crime de organização criminosa foi parar em Curitiba, para ser julgada em primeira instância

Brasil de Fato | Curitiba (PR)

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Ex-ministro Geddel Vieira Lima (esq.) é acusado de fazer parte de organização criminosa comandada por Michel Temer (dir.) / Marcelo Camargo - Agência Brasil

O juiz Sérgio Moro enfrenta um dos maiores desafios à frente da Lava Jato. No início do mês, o Supremo Tribunal Federal desmembrou as denúncias contra o governo Temer e o núcleo político do PMDB na Câmara. A parte da denúncia pelo crime de organização criminosa foi para Curitiba, para ser julgada em primeira instância.

Entre os réus, estão políticos como Eduardo Cunha e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, e o ex-assessor de Michel Temer, Rodrigo Rocha Loures.

As denúncias são pesadas. Os quatro são acusados de cometerem atos ilícitos em troca de propina na Petrobras, na Caixa Econômica, no Ministério da Integração Nacional e na Câmara dos Deputados.

Temer é acusado de ter sido o líder dessa organização criminosa, desde maio de 2016. O ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou a se referir ao grupo como “quadrilhão do PMDB”.

Talvez Moro não imaginasse que a bomba cairia em seu colo. Afinal, trata-se de políticos que tinham foro privilegiado, que poderiam passar longe de Curitiba. Porém, o ministro Edson Fachin agiu com firmeza, e chegou a hora de saber se Moro vai manter o mesmo critério de outras sentenças na Lava Jato.

Será que ele vai condenar o quadrilhão, mesmo sem dispor de todas as provas? Será que vai encarar de frente a alta cúpula do governo Temer, fruto de um golpe que ele mesmo ajudou a consolidar?

Sérgio Moro não tem saída, porque caiu em sua própria armadilha. O simples fato de respeitar a Constituição Federal e o direito de defesa dos membros do quadrilhão, daqui para frente, poderá ser interpretado como parcialidade ou falta de critérios. O que vale para um, deveria valer para todos.

A pressão da mídia comercial é menor que nas denúncias contra o PT, mas a história não os absolverá.

Edição: Camila Salmazio