Aposentadoria

Temer articula nova ofensiva contra Previdência e vai tentar aprovar reforma

Governo mantém conversas com líderes de partidos aliados para garantir aprovação do desmonte trabalhista

Brasil de Fato | Brasília (DF)

,
Defensores da retirada de direitos: Meirelles (à esq.), ministro da Fazenda, e Michel Temer / Lula Marques/AGPT

Mesmo sem dar prazos para votação, Michel Temer, do PMDB, articula politicamente uma nova tentativa de passar a chamada Reforma da Previdência no Congresso Nacional. Para garantir apoio parlamentar, o peemedebista negocia uma série de medidas em troca de garantia de sustentação do projeto.

Um dos principais focos do Planalto é angariar o máximo de votos do PSDB, legenda que vive uma disputa interna para decidir o comando do partido e, consequentemente, se desembarca ou não do governo e de sua base de apoio. Parte da agremiação defende a desvinculação dos tucanos de um governo com baixos índices de popularidade.

Após a saída de Bruno Araújo, do PSDB pernambucano, do Ministério das Cidades, Temer nomeou Alexandre Baldy, deputado de Goiás sem partido para a pasta. Na posse, o presidente em exercício citou Rodrigo Maia, presidente da Câmara, como “a primeira pessoa” a sugerir o nome.

O centrão, base fiel de apoio ao governo no Congresso, aproveitou o momento para reivindicar mais cargos.

Carlos Marun, do PMDB do Mato Grosso do Sul, chegou a ser anunciado para substituir Antonio Imbassahy, tucano da Bahia, na Secretaria de Governo, posto responsável pela articulação política. Marun ganhou os noticiários recentemente por sua defesa de Eduardo Cunha e pela comemoração dançante quando a segunda denúncia contra Temer foi barrada no Congresso.

Após o vazamento da troca, Temer recuou. O peemedebista conversou com o líder tucano Aécio Neves, estipulando uma eventual saída do PSDB do governo para depois da votação da Reforma da Previdência. 

Além da questão partidária, Temer atua em relação a interesses setoriais e regionais, negociando o perdão de dívidas de ruralistas com o Funrural e um novo cronograma de repasses aos governos estaduais com o intuito de aliviar seus débitos financeiros. 

Ciente das dificuldades enfrentadas anteriormente, o Ministério da Fazenda preparou nova proposta para as alterações na Previdência. Retira ou reduz medidas do projeto original, mas mantém o núcleo das mudanças, como os 40 anos de contribuição para recebimento da aposentadoria integral. 

Edição: Vanessa Martina Silva