TRANSPORTE PÚBLICO

Fim da dupla função de motoristas e cobradores pode gerar 14 mil vagas no Rio

Desde a última semana, trabalhadores do transporte público do Rio de Janeiro comemoram a aprovação da lei

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

,

Ouça a matéria:

Projeto foi aprovado por ampla maioria na Câmara de Vereadores e seguiu para sanção do prefeito Marcelo Crivella / Agência Brasil

Desde a última semana, trabalhadores do transporte público do Rio de Janeiro comemoram a aprovação da lei que prevê o fim da dupla função dos motoristas e o retorno dos cobradores nos ônibus municipais. Para eles, a nova lei é essencial porque garante mais segurança ao trânsito e aos passageiros, além de gerar postos de trabalho em momento de aumento do desemprego.  

“O trânsito já é caótico, fica ainda mais quando você tem que se preocupar em dirigir, cobrar e dar troco. Também é importante lembrar que o cobrador não só recebe a passagem, é auxiliar do motorista, ele olha as portas, fiscaliza o ônibus para ver se está acontecendo algo irregular. É uma função essencial para funcionamento das lotações”, afirma o motorista Alexandre Rincon. 

Para o rodoviário Daniel Bahia, a aprovação da lei também é importante porque coloca em questão a exploração sofrida pelos trabalhadores do transporte público. “Hoje o motorista dirige, cobra, tem que acionar o elevador. É uma categoria massacrada, enquanto os empresários estão ganhando rios de dinheiro. A gente não pode falar no celular e dirigir, mas pode dirigir e cobrar. Eu sou motorista, trabalho 12 horas por dia, acumulando função, e a empresa não me paga a mais por isso”, acrescenta. 

O projeto de lei, de autoria do vereador Reimont (PT), foi aprovado pela Câmara Municipal do Rio na quinta-feira (23), por 40 votos favoráveis e um único voto contrário, e seguiu para sanção do prefeito Marcelo Crivella (PRB).  

Reimont complementa que a estimativa é de que a lei garanta a criação de 14 mil novas vagas de cobradores na cidade do Rio de Janeiro.  

TRAFEGO MAIS SEGURO 

“É importante lembrar que até o final do ano vamos ter no Rio meio milhão de pessoas desempregadas. Esse projeto aprovado para além de cuidar da segurança, de um tráfego mais seguro, dos usuários de ônibus, pedestres, cuidar também da geração de emprego, nesse momento crucial”, afirma. 

Em resposta à aprovação da lei, a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) divulgou uma nota afirmando que a considera um retrocesso. “O Rio Ônibus está preocupado em preservar o emprego dos 40 mil trabalhadores do setor. A medida ignora que todos os ônibus do Rio têm bilhetagem eletrônica. Atualmente, mais de 70% das transações nos ônibus municipais são feitas com cartões RioCard”, disse em nota. 

Para Alexandre Rincon, a resposta da Fetranspor comprova que os interesses da empresa estão bem distantes do que é melhor para a população. “Os patrões das empresas de ônibus só querem ganhar. Eles têm supermercado, shopping, condomínio, pegam o lucro das empresas e investem no exterior. Agora estão ameaçando demitir e fechar se voltar o cobrador. Que fechem. É só o prefeito abrir nova licitação. Empresas é que não faltam para concorrer, se eles não querem cumprir a lei. Basta o prefeito ter pulso”, conclui o motorista. 

 

Edição: Vivian Virissimo