DEBATE

Evento na Universidade de Uberlândia (MG) discute situação política da Venezuela

Ministro Conselheiro da Embaixada venezuelana no Brasil Gerardo Antonio Delgado Maldonado esteve presente na atividade

Brasil de Fato | Uberlândia (MG)

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Gerardo Maldonado fala sobre a situação política da Venezuela e como os movimentos populares brasileiros têm apoiado a resistência do país / Luiz Fellippe Fagaráz

Organizada pelo Núcleo de Estudos Marxistas sobre a América Latina (Nemarx-AL), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a atividade “O que ocorre na Venezuela?” realizada no último dia 29, contou com a participação de Gerardo Antonio Delgado Maldonado, Ministro Conselheiro da Embaixada venezuelana.

Maldonado abordou o desenvolvimento do país durante os anos dos governos de Chávez e Maduro, refletido principalmente pelos indicadores sociais, como os resultados na educação. A Venezuela, desde 2005, é considerada território livre de analfabetismo pela Unesco, é também o segundo país das Américas com o maior número de matrículas universitárias e o quinto no mundo. Muitos dos ganhos políticos foram atribuídos à Constituição de 1999 e à alteração de uma democracia representativa para uma democracia participativa.

O Brasil de Fato MG conversou com o Ministro sobre a situação política da Venezuela e como os movimentos populares brasileiros têm apoiado a resistência do país ao imperialismo.

Brasil de Fato MG - Como nós brasileiros, integrantes de movimentos populares, podemos auxiliar no processo venezuelano neste momento de ataques?

Gerardo Antonio Delgado Maldonado - O povo brasileiro tem muita solidariedade com a Venezuela. De fato, muitos movimentos populares demonstram solidariedade e estão constantemente apoiando o povo e o governo venezuelano. Jornalistas estiveram na Venezuela como observadores na campanha das eleições regionais e um grupo de juristas de Porto Alegre também estiveram e estão, permanentemente, buscando informações sobre o país. Apresentar a verdadeira realidade venezuelana é um dos motivos pelo qual eu estive aqui em Uberlândia, informando, notificando os jovens estudantes da Universidade sobre a realidade da Venezuela.

Vimos, nos últimos tempos, a resistência do povo venezuelano frente a uma ofensiva neoliberal muito forte. Enquanto isso, aqui no Brasil, nós não tivemos a mesma mobilização. Em sua opinião, quais foram as principais medidas adotadas pelo governo venezuelano que possibilitaram que a população se mobilizasse para a defesa do governo?

Na Venezuela há uma grande consciência política. O povo, depois da Constituição de 1999, vive dia a dia sua realidade política e discute a Constituição, participa de assembleias populares, da Assembleia Nacional Constituinte, faz propostas de moções a distintos setores de interesse. Enfim, ele está permanentemente participando. Lembrando que a Venezuela modificou seu modelo político representativo para um participativo, o que permite a população estar em constante debate sobre sua realidade.

Qual o papel da Venezuela na libertação dos povos latino-americanos?

O comandante Chávez queria realizar e integração latino-americana, deixou um legado de integração na Unasul (União das Nações Sul-americanas). Para ele, o imperialismo estava numa fase de tratar de dominar, de aumentar esse domínio sobre os povos, especialmente da nossa região. A Unasul trabalhou muito para o tema de segurança latino-americana, por uma construção sul-americana mais soberana. 

Desde a queda da União Soviética, movimentos de esquerda fazem a leitura da falta de uma retaguarda estratégica. Hoje o senhor vê algum país como uma retaguarda estratégica para a Venezuela?

A federação Russa tem um papel muito importante no equilíbrio dos poderes mundial. Tanto a Rússia quanto a China vêm apoiando muito a Venezuela em matéria financeira, em cooperação energética, em cooperação tecnológica, enfim, eles possuem um papel muito importante. O centro de poder, hoje, está mudando. Depois de 100 anos da Revolução Russa, creio que o mundo tem essa necessidade [de alterar o centro de poder], não podemos viver na unipolaridade dominante. Atualmente, tendo em vista o governo de Donald Trump, é necessário um equilíbrio, um ‘multipolarismo’, um ‘pluripolarismo’, no mundo para termos uma maior segurança.

Esses dois países citados fazem parte dos BRICS. Como o senhor vê essa iniciativa dos BRICS e a participação do governo brasileiro?

Os BRICS são um polo de desenvolvimento muito importante no mundo, o Brasil tem uma participação importante ali, mas não nos apoiam muito como Rússia e China. A Índia também tem uma participação muito importante, principalmente com relação aos medicamentos e outras tecnologias. Neste momento, a Venezuela tem as relações congeladas com o Brasil e falamos somente sobre matérias necessárias, o mínimo possível, por enquanto.

Está havendo uma batalha do governo venezuelano contra a corrupção, principalmente nas empresas PDVSA e CITGO. Quais os resultados conseguidos até agora?

Temos uma cruzada contra a corrupção. O presidente Nicolás Maduro se manifestou dizendo: caia quem caia, não importa quem seja deve pagar pelo crime de corrupção. Há fiscais designados pela Assembleia Nacional Constituinte que estão nessa cruzada de maneira direta. Então, estamos comprometidos com o combate à corrupção, porque quem atenta contra a principal companhia venezuelana de petróleo atenta contra o povo venezuelano e o governo está consciente disso.

 

Edição: Larissa Costa