Identidade

Farinha de mandioca faz parte da cultura alimentar do paraense

Rica em carboidrato, a farinha é consumida com diversos alimentos, como manga e pato no tucupi

Brasil de Fato | Belém (PA)

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Pressada, ralada e torrada a farinha de mandioca ainda é produzida de forma artesanal pelos agricultores no Pará / Carlinhos Luz/Comunicação MST

Herança dos povos indígenas a farinha de mandioca é um dos alimentos mais presentes na comida do paraense. Ela vai bem em com frutas como manga e uxi, comidas típicas da região como o pato no tucupi ou a maniçoba e no arroz e feijão do dia a dia, o que não pode é faltar a farinha na mesa do paraense.

O nutricionista, Shigemasa Umemura é japonês, mas já se considera um paraense e virou consumidor da farinha de mandioca. Segundo ele o alimento é rico em carboidrato, logo tem alto valor calórico. Ele acompanha a vida alimentar do amazônida desde de 1954 quando morou em Manacapuru, município localizado na região metropolitana de Manaus, no estado do Amazonas, e lá, assim como muitas outras localidades da região, a base de alimentação nas comunidades é a farinha de mandioca com caça, pesca e frutas. Morando em Belém já alguns anos ele confessa que no estado no Pará a farinha dá o tom do sabor.

“Como eu me acostumei e a gente nota que a comida do Norte, especificamente a paraense, os alimentos são propícios com a farinha, desde as frutas, por exemplo uxi, piquiá, essas frutas exóticas do Pará se não tiver farinha elas não dão o sabor do Pará e a alimentação como o pato no tucupi, maniçoba, caruru, vatapá, isso então mano sem farinha é nada. Então eu sempre brinco com o meu povo paraense que a farinha é tipo o frio no Sul: se não tiver farinha morre metade do paraense e no Sul morre de frio metades que estão lá”, risos.

Ele ainda lembrou da manga, outra fruta que comer com farinha tornou-se costume da cultural alimentar. Nessa época de ano em Belém as mangueiras ficam carregadas e é comum na paisagem urbana ver pessoas juntar uma manga que caiu para comer com a farinha. 

Rozana Melo, assistente social, conta que o consumo da farinha de mandioca é herança dos povos indígenas e na casa dela não pode faltar: “Culturalmente está arraigada as nossas raízes o consumo da farinha. Vindo dos povos indígenas trouxeram para a nossa cultura – [e na sua casa?] – Todo mundo come farinha”.

Mas para que a farinha chegue a mesa da paraense torradinha existe todo um processo artesanal e quem conta é o agricultor Antônio Soares de Souza, 70 anos e que mora no assentamento Olga Benário que fica no município de Acará:  “Primeiro desde o início a gente planta a maniva e ai a mandioca vem com um ano e quatro meses, a gente já arranca para fazer a farinha vai bota na água a mandioca e da mandioca a gente descasca e o processo é essa ai: Tira para ralar para misturar com a mole e de lá vai para o Tipiti, amassa vai para peneira e de lá vai para o forno”.

O Tipiti é um artefato criado pelos indígenas, uma espécie de prensa ou espremedor de palha trançada usado para escorrer e secar a mandioca ralada.

A farinha é um dos produtos derivados da mandioca, que também é conhecida como aipim ou macaxeira em outras regiões do país e não é apenas na região norte que a farinha é base da alimentação como diz a letra da música Farinha composta pelo cantor Djavan:"A farinha tá no sangue do nordestino eu já sei desde menino o que ela pode dar e tem da grossa, tem da fina se não tem da quebradinha vou na vizinha pegar pra fazer pirão ou mingau farinha com feijão é animal! ”

 

Edição: Anelize Moreira