PARA MULHERES

Roller Derby: o esporte feminista que só cresce no Brasil

Profissionalizada nos anos 2000, a modalidade tem 11 ligas no país e uma competição anual

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

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A liga carioca Sugar Loathe Roller Derby é filiada a a WFTDA, a associação que gere o esporte mundialmente / Divulgação

Mulheres, patins e equipamento de proteção. Esses são três componentes essenciais do Roller Derby, um esporte feminista que cada vez mais cresce no Brasil. A modalidade foi criada nos Estados Unidos na década de 1930, mas ganhou contornos mais competitivos e profissionais no início dos anos 2000 com a criação da associação que gere o esporte mundialmente, a WFTDA (Associação do Derby de Pista Plana Feminina, tradução da sigla para o português). 

A liga carioca Sugar Loathe Roller Derby é afiliada à organização e vai recrutar novas jogadoras ainda esse mês. O nome é uma brincadeira com Sugarloaf, Pão de Açúcar em inglês, mas com a troca de loaf (pão) por loathe (odiar).  "No recrutamento nós vamos explicar as regras e o funcionamento da liga. A gente também faz o 'sock derby', que é uma adaptação do jogo sem os patins e que ajuda a entender como funciona o jogo", explicou Ana Clara Miranda, coordenadora da liga. 

O esporte é praticado em uma pista plana e oval em que competem cinco jogadoras de dois times - em que quatro das jogadoras são bloqueadoras e uma é a pontuadora. O objetivo dela é ultrapassar as jogadoras do time adversário, ganhando um ponto para cada ultrapassagem. Já as bloqueadoras ajudam a pontuadora do seu time e atrapalham a do time adversário. 

Já existem 11 ligas de Roller Derby que fazem uma competição anual, o Brasileirão. O esporte é considerado feminista por ser um esporte de contato e velocidade, que trabalha com a confiança das mulheres. O único pré-requisito para participar é se identificar como parte do gênero feminino. "É muito empoderador, além da diversidade de gênero. Fora isso, toda a questão da sexualidade também, não há nenhuma discriminação", acrescenta Ana Clara. 

Além da questão feminista, o esporte também é diverso em outro quesito. "Eu sou acima do peso, então eu nunca achei que eu poderia ser aceita em nenhum tipo de esporte. No Roller Derby vi que existem meninas com corpos completamente diferentes. Então eu achei, enfim, o lugar em que eu tivesse um esporte para chamar de meu", conta a estudante universitária Guinevere Gaspari.  

Guinevere está há seis meses na liga e diz que o esporte já mudou a sua vida. "O derby trouxe a questão do cuidado comigo mesma, tanto fisicamente quanto mentalmente. Mas o principal mesmo foi conhecer a força que a gente tem enquanto mulher. Confiança é uma palavra que eu posso dizer que o Derby trouxe para mim", concluiu.  

Edição: Mariana Pitasse