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Bancários PE | “No Brasil há uma cumplicidade entre os banqueiros e o governo”

Presidenta do Sindicato dos Bancários de PE, Suzineide Rodrigues, concede entrevista ao Brasil de Fato Pernambuco

Brasil de Fato | Recife (PE)

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"Nós sabemos que a eleição por si só não faz transformação" / Reprodução

Suzineide Rodrigues é presidenta do Sindicato dos Bancários de Pernambuco e nesta entrevista ao Brasil de Fato Pernambuco conversou sobre a insegurança dos trabalhadores e usuários de bancos pernambucanos e das tentativas de privatização que os bancos públicos vem sofrendo no Brasil após o golpe sofrido pela ex-presidenta Dilma Rousseff.

Brasil de Fato: Alguns dias atrás o Sindicato dos Bancários de Pernambuco divulgou uma nota sobre o aumento da violência bancária em Pernambuco. Você poderia comentar isso por favor?

Suzineide Rodrigues: O ano de 2017 teve um total de 183 ocorrências no estado todo, em sua maioria explosões e no interior. Houve um avanço da violência no interior do estado e nós avaliamos que isso resulta da falta de policiamento. Esse ano de 2018 foram contabilizadas oito ocorrências nos primeiros nove dias do ano. Em 2017 no mês de janeiro foram 17 ocorrências, uma ocorrência a cada dois dias, esse ano já percebemos que esse índice será maior. Já tivemos “saidinha” bancárias e explosões, inclusive com feridos. Por isso nós fizemos uma nota denunciando o pouco caso do Governo do Estado com a Segurança Pública. Denunciamos o Governo do Estado, mas também cobramos dos bancos, porque há uma cumplicidade entre os banqueiros e o governo, um fica responsabilizando o outro e quem fica penalizado é a sociedade. Nós estamos conseguindo muito apoio da sociedade nessa denúncia.

Na sua avaliação, essa situação de insegurança ela se acentua com a tentativa de privatização que o governo federal vem anunciando?

Se acentua e um dos argumentos que os bancos tem usado, sobretudo o Banco do Brasil, para não abrir agências no interior é a situação de violência. Ao invés de resolver com segurança pública, o governo tem fechado as unidades. Com esse governo golpista a um processo de esvaziamento e privatização das empresas públicas. Hoje todos os bancos públicos tem feito Planos de Demissão Voluntária (PDV), incentivando aposentadoria e fazendo reestruturações perversas. Fizemos uma grande luta para que a Caixa Econômica Federal não fosse vendida. Nós tivemos uma vitória porque o capital da Caixa não foi aberto. Entretanto, a Caixa é o único Banco cem por cento público também está fazendo um processo de reestruturação. O modelo de gestão que os Bancos Públicos estão adotando é um modelo privatista, de sucateamento e de desprezo pela coisa pública. Temos lutado muito nessa campanha em defesa dos bancos públicos

Como a Campanha em defesa dos Bancos Públicos vai continuar em 2018?

Nós já fizemos vários processos: já fizemos atividades para conversar com os bancários e agora estamos fazendo atividades de diálogo com a sociedade. Para a sociedade entender o papel dos Bancos Públicos. Os delegados sindicais aprovaram a continuidade dessa campanha.

Olhando para conjuntura política brasileira, quais os principais desafios que você apontaria para esse ano?

O primeiro desafio é mobilizar o povo. É dizer “acorda meu povo” ou escolhemos um bom representante ou vamos virar escravos. Continuar lutando contra a reforma da previdência, que foi uma pauta que o povo entendeu muito bem. A segunda coisa é que os movimentos sociais tem que estar muito fortes e muito unidos e sabendo que temos que ter propostas concretas. Nós sabemos que a eleição por si só não faz transformação, mas ajuda muito. No governo Lula vimos como conseguimos ter crescimento econômico e agora a elite brasileira diz “eu não quero pobre comendo, não quero eles estudando”. Precisamos pensar e escolher muito bem nossos candidatos. A sociedade tem que estar muito consciente que não pode vender o voto.

Edição: Monyse Ravena