Eleições

“Lula é inocente, por isso não temos plano B”, diz Dilma em ato com mulheres em POA

De acordo com a Frente Brasil Popular, cerca de 15 mil mulheres participaram do ato em defesa da democracia

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS)

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Deputada Federal Alice Portugal (PCdoB): "Sem um crime, cassaram a primeira mulher que vestiu a faixa presidencial na história" / Tuane Fernandes/ Mídia NINJA

Nem a falta de luz na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul impediu que mulheres de diversas regiões do Brasil e de outros países se manifestassem na manhã desta terça-feira (23) em defesa da democracia e pelo direito de Lula ser candidato nas próximas eleições.

O ato estava previsto para acontecer em um dos auditórios do Palácio Farroupilha, sede da Assembleia, em Porto Alegre, mas uma queda de energia fez com que elas transferissem a manifestação para a Praça Marechal Deodoro, em frente ao Palácio.

A deputada federal do PCdoB, Manuela d’Ávila, que é pré-candidata à Presidência, destacou a resistência e o protagonismo das mulheres diante do golpe, que teve início em 2016 com a retirada da ex-presidenta Dilma Rousseff do poder.

Para Manuela, que já manifestou publicamente seu apoio a Lula, o ex-presidente representa hoje a saída para a crise institucional atravessada pelo país e representa a preservação da democracia.

“Eu acho que nós precisamos compreender que a defesa do direito de Lula concorrer às eleições é a defesa de uma saída democrática para a crise que o Brasil vive. O neoliberalismo não precisa mais de democracia. É isso que eles nos mostraram a partir de 2016 e é isso que eles nos mostram com esse esforço tão grande para a judicialização da política. Por isso, esses atos lindos como o de hoje me lembra um poema do Thiago de Melo: ‘Faz escuro mas eu canto, porque o amanhã vai chegar’; talvez esses atos simbolizem a capacidade de resistência que o povo brasileiro tem”, disse.

Somente o povo pode decidir se Lula volta ao Palácio do Planalto no ano que vem, na avaliação da ex-ministra Eleonora Menicucci. “A premissa para o resgate da democracia é a permissão do ex-presidente Lula se candidatar em 2018. Porque é evidente que só o povo vai dizer se quer ou não e quem ele quer. Então [esse ato] vai nesse sentido, porque nós não queremos mais perder direitos”, enfatiza, referindo-se às ações do governo Temer como a reforma trabalhista, que atinge principalmente as mulheres.

Dilma Rousseff

Já do lado de fora do Palácio Farroupilha, Dilma Rousseff respondeu a uma das críticas dirigidas ao Partido dos Trabalhadores de não terem um candidato alternativo ao ex-presidente Lula, caso ele seja impedido de concorrer nas eleições: “Nós achamos que Lula é inocente, por isso nós não temos plano B. Ter plano B quando se trata de um inocente é covardia e se tem uma coisa que nós não somos é covarde”.

Dilma chegou até o caminhão escoltada por mulheres e parabenizou o protagonismo delas em espaços que até então só eram ocupados por homens: “Eu tive a oportunidade de ser conduzida aqui neste ato, para esse caminhão por uma segurança feita por mulheres e agradeço a cada uma delas, inclusive aquela que perdeu a sua sandália e estava descalça, mas que aguentou firme essa trajetória”.

De acordo com a Frente Brasil Popular, cerca de 15 mil mulheres participaram do ato em defesa da democracia e pelo direito de Lula ser candidato. A mobilização é parte de um calendário de eventos realizados na capital gaúcha, local onde será realizado o julgamento do ex-presidente em segunda instância, no caso do Triplex do Guarujá.

Edição: Vanessa Martina Silva