Minas Gerais

O que os blocos de Belo Horizonte fazem enquanto não chega o carnaval?

Foliões usaram 2017 para participar de melhorias nos seus bairros e também para se divertir

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Os fãs dos filmes Star Wars organizaram um bloco caricato em terras mineiras / Divulgação

"Tô me guardando pra quando o carnaval chegar…" Você deve achar que esse é o mantra dos blocos de carnaval, que ficam esperando a festa chegar, não é? Mas parece que não é bem assim. Fomos pesquisar o que os blocos andaram fazendo em 2017 e descobrimos ensaios, ações solidárias e protestos.

A praça (tem que ser) nossa!

No bairro São Salvador, na região Noroeste da capital, a comunidade espera a construção de uma área de lazer e cultura, prometida pela Prefeitura desde 2008, mas que teve apenas a estrutura de base construída até o momento. O Bloco da Língua se envolve na causa desde o início e neste ano contribuiu com ânimo para os moradores se manifestarem.

Foram organizados ensaios abertos, “cadeiraço” (cada um leva sua cadeira e ocupa calçadas do bairro) e participação em audiência pública para cobrar pela praça e disseminar a importância dos espaços de cultura nos bairros de BH. “Estimular um coletivo com consciência política é um dos nossos objetivos”, explica Rafael Gregório Malaquias, um dos organizadores do Bloco da Língua. Além do envolvimento com a praça, o bloco organizou atividades de brincadeiras e apresentações durante o ano.

Nerds e foliões

O nome “Estrela da Morte” te lembra alguma coisa? Pois sim, os fãs dos filmes Star Wars organizaram um bloco caricato em terras mineiras. O Bloco Unidos da Estrela da Morte desfila há 3 anos no bairro Floresta, na região Leste, e, durante o ano, fez ações solidárias como doação de sangue ao Hemominas BH. Porém, o lado forte do grupo foi organizar periódicos encontros de fãs, seja em shoppings ou em outras cidades.

Solidariedade no Céu Azul

Já em Venda Nova, o Bloco Anjos do Céu se movimenta há dois anos. Um bloco “no estilo anos 90”, como diz o presidente Marco Antônio de Oliveira Silva, que em 2017 se aliou a organizações com o objetivo de melhorar o bairro. A ação que mais marcou foi a Caminhada Solidária nas margens da Pampulha. A atividade junto com a Associação do Bairro Céu Azul (UMCA) fez medição de pressão, coleta de sangue e atividades físicas, além - é claro - de muito batuque.

“O nosso bloco não quer ser somente um bloco de rua, ele quer ser um movimento de resgate à cultura do bairro Céu Azul. A gente une esporte com outras atividades culturais e tenta encaixar na agenda. Para 2018, já estamos firmando parceria com outros blocos”, diz Marco Antônio. Um dos grandes objetivos do Anjos do Céu é organizar para este e para os próximos anos um desfile no sábado de aleluia, que era tradição no bairro e que não mais estava sendo feito.

Vá atrás deles também no carnaval:

O Bloco da Língua leva cerca de mil pessoas para assistir sua apresentação, às 14h, no dia 10 de fevereiro (sábado), saindo da Rua Ibituruna, 142, São Salvador. O Bloco Céu Azul sai dias 10 e 11 de fevereiro (sábado e domingo) às 16h, na Pracinha da Madona, Venda Nova. O Bloco Unidos da Estrela da Morte sai nos dias dia 10 e 12 de fevereiro (sábado e segunda), às 12h, na Rua José Pedro 

Drummond, 100, Floresta.

 

Edição: Joana Tavares