Saúde

Quem mora ou vai viajar pra área endêmica tem prioridade para vacina da febre amarela

Em entrevista, médico da família esclarece os pontos que a população tem mais dúvidas a respeito da vacinação

Rede pública de saúde oferece vacinação contra a febre amarela / Agência Brasil

Atualizada às 21h58, para correção de informação

O Ministério da Saúde atualizou o balanço da febre amarela na terça-feira (23) com relação à doença. Já são 130 casos e 53 mortes confirmadas, de julho do ano passado até 23 de janeiro. As dúvidas mais frequentes sobre a doença são esclarecidas nesta entrevista por Thiago Henrique Silva, médico de família e comunidade e membro da Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares.

Saúde Popular: Como está a situação da febre amarela? É para se apavorar?

Thiago Henrique Silva: Na verdade, a febre amarela é uma doença que apenas 10% dos casos são casos mais graves e que as pessoas reconhecerão como febre amarela.

Noventa por cento dos casos vai passar como se fosse qualquer outra virose e você nem vai saber que teve a febre amarela; pode-se apresentar o quadro viral, dor de cabeça, um pouco de febre, um pouco de dor no corpo, um pouco de dor articular, mas vai passar despercebido que foi a febre amarela.

Como 10% não é irrelevante, há um anseio da população para estar se vacinando porque já há casos de morte. É importante fazer a vacinação, mas não partir para o desespero. Devem tomar as vacinas, principalmente, quem vai para a área de risco, mas não com esse desespero todo.

Quem são as pessoas que não podem tomar a vacina?

De acordo com as recomendações da Fundação Oswaldo Cruz, que é o órgão brasileiro ligado ao Ministério da Saúde de controle a epidemias e que fabrica também a vacina, crianças menores de 6 meses de idade, pacientes com imunodepressão de qualquer natureza, ou pacientes que tomam corticóide ou estejam fazendo algum tratamento de imunossupressão. Estas pessoas estão tomando remédios que vão impedir o sistema imune responder àquele vírus vivo atenuado. Se o remédio impede o seu corpo de responder, é contra indicado tomar a vacina.

Outras contraindicações: pacientes que estão fazendo quimioterapia e radioterapia, pacientes que foram submetidos a algum transplante de órgãos – porque parte destes pacientes pós transplantados está tomando também corticóide ou algum remédio pra evitar a rejeição do órgão.

A vacina também não é recomendada para pacientes que tenham algum câncer em atividade ou que possuam histórico de reação anafilática das substâncias que compõem a vacina da febre amarela. A albumina, por exemplo, que está na vacina e é retirada da clara do ovo. Quem tem alergia a clara de ovo ou gelatina bovina também não pode tomar de jeito nenhum.

No caso de portadores do HIV que tem o vírus controlado ou as pessoas com mais de 60 anos. Eles podem tomar, mas antes devem passar por avaliação médica…

Certo. O paciente que tem lupus, por exemplo. Às vezes ele tem que tomar corticóide mas a dose é baixa e não compromete o sistema imunológico. Ou também o paciente que está com uma infecção, gripado, com febre, pneumonia. Estes só devem tomar a vacina quando o quadro infeccioso melhorar. Recomenda-se que mulheres que estão amamentando crianças abaixo de 6 meses – que não podem de jeito nenhum tomar a vacina – ordenhem a quantidade de leite suficiente para 28 dias, que é o período de viremia, ou aguardem pelo menos 15 dias após ter tomado a vacina para voltar a amamentar

Quem já tomou a vacina anteriormente precisa tomar novamente?

Há uma polêmica recente em relação à proteção da vacina para a vida toda. A orientação da  Organização Mundial da Saúde (OMS) era de que a dose fosse reforçada a cada dez anos, mas novos estudos apontaram que a eficácia da vacina não diminui com o tempo. A nova recomendação é válida até para as pessoas que se vacinaram antes de 2014, porque a dose não era fracionada.  Já a vacina nova, que é fracionada, vai proteger por 8 anos. Então não precisa sair pegando fila de dez horas se a pessoa não vai pra área de risco. Pode esperar um pouco para tomar a vacina.

Edição: Daniela Stefano