VIOLÊNCIA

Terreiro de Umbanda é atacado pela segunda vez na Região Metropolitana de BH

Segundo informações do Cenarab, homens armados invadiram e ameaçaram com armas frequentadores

Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG)

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Em outubro de 2017, agressores ameaçaram ocupantes com armas e destruíram símbolos religiosos / Reprodução

O terreiro de Umbanda “Casa Espírita Império dos Orixás de Nossa Senhora da Conceição e São Jorge Guerreiro”, localizado na divisa entre São Joaquim de Bicas e Mário Campos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), foi novamente invadido, nesta terça (30).

Por volta da meia noite, segundo informações do Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira (Cenarab), homens armados e encapuzados renderam e ameaçaram fiéis com armas, exigindo a documentação do imóvel. Em nota, o Cenarab afirma que trata-se de um ato de crueldade e intolerância religiosa.

“Sobre o clima de medo e de terror, face aos ataques, evidencia-se o cenário de violência assistida, impunidade e descaso por parte das autoridades. Somente a mobilização geral e coletiva das pessoas que integram as religiões de matriz africana, poderão fazer frente a toda esta onda desenfreada de ações criminosas e intolerantes contra nossos templos”, diz o texto da nota.

Em outubro do ano passado, cinco homens armados, entre eles um policial aposentado, teriam invadido esse mesmo terreiro, ameaçando ocupantes e destruindo símbolos religiosos.

Leia nota na íntegra:

ATENÇÃO POVO DO SANTO: EM MINAS, NOSSOS TEMPLOS PEDEM SOCORRO

No início da madrugada de ontem, a Casa Espírita Império dos Orixás de Nossa Senhora da Conceição e São Jorge Guerreiro, localizada na divisa de Mário Campos e São Joaquim de Bicas, em mais um ato de crueldade e intolerância religiosa, pereceu sobre as mãos de criminosos que invadiram o local armados e encapuzados, rendendo os que se faziam presentes e exigindo a documentação do imóvel e do Terreiro, que foi levada.

O mesmo imóvel, que já havia sido vítima das ações de criminosas no dia 24/10, onde homens invadiram o local armados com armas de fogo, picaretas e uma motosserra, sendo o mesmo espaço violentado novamente nos dois dias subsequentes.

Sobre o clima de medo e de terror, face aos ataques, evidencia-se o cenário de violência assistida, impunidade e descaso por parte das autoridades. Somente a mobilização geral e coletiva das pessoas que integram as religiões de matriz africana, poderão fazer frente a toda esta onda desenfreada de ações criminosas e intolerantes contra nossos templos.

É preciso compreender o estado calamitoso e frágil em que se encontra o livre exercício da fé.

Choram, nossos terreiros, nossos ancestrais, nossa cultura.

Choremos, pois sangra um de nós, então sangraremos todos juntos.

Somos filhos da resistência que atravessou décadas, da resiliência que atravessou barreiras, da insistência que não nos deixou calar uma só voz.

ACORDEMOS, ENQUANTO NOS RESTA TEMPO.  

 

Edição: Larissa Costa